Taxas de LCIs e LCAs recuam para perto de 90% do CDI, enquanto risco de tributação volta ao debate

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa12 minutos atrás7 Visualizações

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) encerraram o primeiro semestre com remunerações médias próximas de 90% do CDI, patamar inferior ao observado em 2025. Mesmo assim, a isenção de Imposto de Renda (IR) preserva uma vantagem líquida em relação a CDBs e outros produtos tributados.

O que mudou no primeiro semestre

  • LCAs de 12 meses pagaram, em média, 88% do CDI, ante 95% em 2025.
  • LCIs de 12 meses caíram de 95,43% para 89,5% do CDI no mesmo comparativo.
  • A maior parte das emissões se concentrou entre 85% e 90% do CDI, com pouca variação entre prazos.

O recuo acompanha a queda da curva de juros ao longo do ano. Com o mercado menos pessimista sobre inflação e política fiscal, as taxas futuras foram ajustadas e, por consequência, o custo de captação dos bancos diminuiu.

Por que ainda são competitivas?

Como pessoa física não paga IR sobre LCIs e LCAs, esses papéis continuam entregando retorno líquido superior a muitos CDBs.

  • LCA de 1 ano a 88% do CDI equivale a um CDB de 106% do CDI, já descontado IR de 17,5%.
  • LCA de 6 meses a 85,75% do CDI corresponde a um CDB de cerca de 110% do CDI, após IR de 22,5%.

Além disso, ambos contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 250 mil por CPF e por instituição.

Entenda CDI, Selic e curva de juros

Para o investidor iniciante, vale lembrar:

  • CDI: taxa usada como referência para a maior parte dos produtos de renda fixa de curto prazo; acompanha de perto a taxa Selic.
  • Selic: juros básicos da economia, definidos pelo Banco Central; afetam diretamente o rendimento de pós-fixados e o custo do crédito.
  • Curva de juros: projeção das taxas futuras. Quando ela cai, novos títulos normalmente pagam menos.

Debate sobre o fim da isenção volta ao radar

No fim do semestre, representantes do Tesouro Nacional voltaram a atribuir parte da pressão sobre as NTN-B (títulos públicos atrelados à inflação) à existência de papéis isentos de IR. Em 2023, a Medida Provisória 1.303 tentou criar alíquota de até 7,5%, mas perdeu validade no Congresso.

  • Estoque estimado: R$ 571 bilhões em LCAs e R$ 540 bilhões em LCIs até maio.
  • Analistas avaliam que uma nova proposta tende a surgir após as eleições, preservando a isenção dos títulos já emitidos.

Se o tema avançar, pode haver corrida por novas emissões antes de qualquer mudança — movimento semelhante ao visto quando a MP 1.303 foi anunciada.

Pontos de atenção para o investidor

  • Liquidez limitada: carência mínima de 90 dias e, na maioria das vezes, ausência de resgate antecipado.
  • Risco de concentração: evitar aplicar valores elevados em apenas um emissor.
  • Prazo versus necessidade: alinhar o vencimento ao planejamento financeiro para não ficar “preso” ao título.
  • Comparar alternativas: com CDI e Selic em patamares ainda elevados, Tesouro Selic e CDBs podem oferecer rendimento semelhante após impostos, dependendo da taxa contratada.

Oferta menor de LCI, maior de LCA

O levantamento mostra que a emissão de LCI encolheu em 2026, enquanto as LCAs ganharam volume. A redução de oferta pressiona as taxas das LCIs para baixo, enquanto o maior apetite por LCAs ajuda a manter seus rendimentos relativamente estáveis.

Para quem começa a investir, entender a relação entre isenção, taxa nominal e prazo é essencial antes de escolher entre LCIs, LCAs ou produtos tributados. Diversificação continua sendo a principal defesa contra mudanças regulatórias e oscilações de mercado.

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