Geopolítica e cenário fiscal travam cortes na Selic, aponta ASA Investments

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro1 hora atrás9 Visualizações

A perspectiva de uma trégua no conflito no Oriente Médio não foi suficiente para mudar o humor dos economistas da ASA Investments. Durante painel na Expert XP, Jeferson Bittencourt, chefe de macroeconomia da gestora, disse que a combinação de tensões geopolíticas e incerteza fiscal no Brasil reduziu o espaço para novos cortes na taxa Selic.

Por que a Selic deve parar perto de 14%

No início do ano, a casa trabalhava com uma queda de cerca de 3 pontos percentuais nos juros básicos. Agora, avalia que o Banco Central pode ter encerrado o ciclo de flexibilização monetária, deixando a Selic – hoje em 13,75% ao ano – praticamente no mesmo nível até dezembro.

  • Guerra e gastos: o conflito no Oriente Médio abriu margem para governos aumentarem despesas militares e programas de incentivo, movimento que pressiona a inflação global e, indiretamente, os juros.
  • Política fiscal doméstica: a execução do orçamento brasileiro continua no centro do radar. Qualquer sinal de expansão de gastos dificulta a queda da Selic, pois obriga o BC a compensar o risco inflacionário com juros mais altos.

Impacto direto para investidores iniciantes

  • Renda fixa: juros elevados por mais tempo sustentam a atratividade de títulos indexados à Selic, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI. Esses papéis tendem a entregar retorno real mais previsível, o que agrada quem busca segurança.
  • Bolsa de valores: a proximidade das eleições de 2026 e o cenário externo instável aumentam a volatilidade das ações. Para quem investe em renda variável, o momento exige atenção redobrada a prazos e tolerância a oscilações.
  • Dólar: embora Bittencourt não tenha feito projeções cambiais, juros altos costumam atrair capital estrangeiro para títulos públicos, o que pode conter movimentos bruscos da moeda, sem eliminar a possibilidade de sobressaltos.

Entenda os conceitos

  • Selic: é a taxa básica de juros da economia brasileira. Serve de referência para empréstimos, financiamentos e remuneração de diversos investimentos em renda fixa.
  • CDI: taxa usada em operações interbancárias que, na prática, acompanha de perto a Selic. Muitos CDBs e fundos DI rendem um percentual do CDI.
  • Volatilidade: medida de quanto o preço de um ativo oscila. Ambientes políticos conturbados e guerras costumam aumentar essa variação, elevando o risco percebido pelo mercado.

Brasil menos exposto ao comércio global

Apesar do cenário adverso, o economista da ASA ressaltou que a economia brasileira é relativamente fechada, com menor participação do comércio exterior no Produto Interno Bruto em comparação a grandes economias abertas. Isso ajuda o país a absorver parte dos choques vindos de fora, embora não elimine completamente seus efeitos sobre inflação e juros.

Com a combinação de Selic elevada e incerteza política, a mensagem da gestora é clara: o investidor tende a encontrar mais estabilidade na renda fixa enquanto o ambiente externo e o ciclo eleitoral adicionam ruído à renda variável.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...