Gestores veem risco fiscal elevado e apontam NTN-B como opção mais defensiva que CDI

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa2 minutos atrás15 Visualizações

Três das casas de gestão mais acompanhadas do mercado — Kapitalo, Vista Capital e Kinea — colocaram um holofote sobre a fragilidade fiscal do Brasil e o efeito desse quadro sobre quem investe em renda fixa. Durante a Expert XP, os gestores defenderam maior exposição a títulos indexados à inflação (NTN-B) ou, em menor escala, a prefixados curtos, em vez de manter o grosso da carteira em papéis atrelados ao CDI.

Por que o CDI entrou na linha de fogo?

O CDI replica, dia a dia, o comportamento da Selic. Quando a taxa básica cai, o retorno também cede; quando sobe, o investidor precisa reinvestir o principal a um juro mais alto, mas sobre um saldo menor, o chamado risco de reinvestimento. Na visão de João Landau, sócio da Vista, o CDI “perde” tanto se a Selic recuar quanto se disparar.

  • Selic em queda: rendimento cai imediatamente, sem compensar eventual alta de preços.
  • Selic em alta: a inflação tende a subir junto; nesse cenário, papéis IPCA+ capturam o aumento do índice de preços e preservam o poder de compra.

Dominância fiscal: sinal de alerta vindo do Tesouro

Landau destacou a dificuldade recente do Tesouro Nacional para vender NTN-B pagando 8% ao ano acima do IPCA. Segundo ele, o recado é claro: “esse juro precisa cair ou quebramos”. O termo dominância fiscal aparece quando o endividamento do governo fica tão pesado que a política monetária passa a ser condicionada pela necessidade de rolar a dívida, limitando a liberdade do Banco Central de elevar juros para conter a inflação.

Inflação versus juros: papel dos títulos IPCA+

Os títulos indexados à inflação somam duas parcelas de remuneração: a variação do IPCA e uma taxa fixa definida no momento da compra. Para Bruno Cordeiro, gestor da Kapitalo, esse formato oferece uma “ancoragem” que os pós-fixados não conseguem em um ambiente de incerteza fiscal. Além disso, prefixados de curto prazo — com vencimentos próximos — poderiam funcionar como ponte até que o cenário fique mais claro.

Recessão contratada e incerteza política

Cordeiro cita “probabilidade muito alta de recessão contratada para o ano que vem”, independentemente do resultado das eleições de 2026. Na mesma linha, Ruy Alves, da Kinea, lembra que os dois nomes mais prováveis para o Planalto carregam desafios: um presidente que já passou por três mandatos sem entregar ajuste fiscal e um opositor sem histórico de responsabilidade nas contas públicas.

O que o investidor deve acompanhar

  • Trajetória da Selic: mudanças de ciclo impactam diretamente o retorno de produtos atrelados ao CDI.
  • Inflação observada e prevista: determina o rendimento real dos títulos IPCA+.
  • Dívida/PIB: indicador central para medir a capacidade de o governo honrar compromissos sem pressionar a taxa de juros.
  • Liquidez do Tesouro Direto: diferenças de spread entre NTN-B e LFT mostram a preferência do mercado por proteção inflacionária.

Para o investidor iniciante, entender como cada título reage a movimentos de juros e inflação ajuda a evitar surpresas desagradáveis. Mesmo em aplicações conservadoras, risco fiscal e política monetária caminham juntos — e o CDI, sozinho, pode não ser suficiente para blindar o patrimônio num ambiente de incerteza prolongada.

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