Kinea alerta: instabilidade política nos EUA eleva risco para os mercados globais

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro3 minutos atrás13 Visualizações

O maior ponto de atenção nos mercados hoje não parte de guerras ou da disputa entre China e Rússia, mas da política interna dos Estados Unidos. A avaliação é de Ruy Alves, sócio e co-gestor dos fundos multimercados da Kinea Investimentos, durante painel na Expert XP.

Por que a Casa Branca pesa mais que a geopolítica

Segundo Alves, a polarização no Congresso americano ampliou “superpoderes” do Executivo. Na prática, decisões ficam concentradas na figura do presidente, atualmente Donald Trump, diminuindo a previsibilidade – ingrediente essencial para precificação de ativos.

Os EUA reúnem poder econômico, tecnológico e militar, além de ditarem parte das regras do comércio global. Quando o ritmo de decisões em Washington se torna errático, investidores exigem prêmio de risco maior, termo que descreve a remuneração adicional para compensar incertezas.

Efeitos que o investidor brasileiro pode sentir

  • Dólar mais volátil: oscilações na confiança sobre a economia americana costumam mexer com a divisa, afetando BDRs, fundos cambiais e importadoras.
  • Juros globais em foco: se o risco percebido aumenta, títulos do Tesouro dos EUA podem pagar taxas mais altas. Isso influencia o custo de capital no mundo todo e, indiretamente, a curva de juros no Brasil — parâmetro para Tesouro Direto, CDBs e debêntures.
  • Bolsa em compasso de espera: maior incerteza lá fora tende a reduzir apetite por ativos de risco, pressionando ações, principalmente as ligadas a commodities e exportação.
  • Busca por proteção: ouro, dólar e títulos de curto prazo costumam ganhar espaço em momentos de dúvidas sobre a liderança americana.

De Krugman a Kinea: o alerta se repete

Alves lembra que o prêmio Nobel Paul Krugman já apontava, desde os pacotes tarifários de Trump, que a arquitetura do comércio internacional ficou mais frágil. Para o economista, o caráter personalista do governo distorceu a relação institucional tradicional em Washington.

O cenário agora

Com a inflação dos EUA desacelerando, o mercado ainda debate o ritmo de cortes de juros pelo Federal Reserve. A incerteza política, porém, adiciona outra camada de risco: mesmo com indicadores macroeconômicos positivos, declarações ou medidas unilaterais podem mudar a leitura de curto prazo.

No Brasil, a Selic permanece em seu ciclo de afrouxamento, mas a trajetória pode ser recalibrada se o ambiente externo ficar mais turbulento. Para o investidor iniciante, entender como choques de confiança se convertem em preços — seja no Tesouro Direto, na Bolsa ou no câmbio — ajuda a evitar decisões movidas apenas por manchetes.

Ferramentas úteis para investidores

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