![Dólar em queda leva brasileiros a recorde de US$ 12,6 bi em gastos no exterior no 1º semestre 4 [Mercado Financeiro] Dólar em queda leva brasileiros a recorde de US$ 12,6 bi em gastos no exterior no 1º semestre](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1785281240.jpg)
Os brasileiros desembolsaram US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 64,5 bilhões) em viagens internacionais entre janeiro e junho de 2026, apontam dados do Banco Central. O montante, o maior da série histórica iniciada em 1995, supera em 22,5% os US$ 10,3 bilhões gastos no mesmo período de 2025 e deixa para trás o antigo pico registrado em 2014.
A principal alavanca para o aumento foi a valorização do real. Em 2026, o dólar acumula queda de 6,76% e era cotado a R$ 5,117 em 28 de julho, depois de tocar R$ 4,891 em maio, o nível mais baixo desde o início de 2024. Como despesas de viagem — passagens, hotéis e compras em cartão — são, em boa parte, precificadas na moeda norte-americana, a conta final em reais ficou mais leve. Isso estimulou famílias a tirarem do papel planos adiados desde a pandemia.
O movimento também se reflete na malha aérea. Só entre janeiro e novembro de 2025, mais de 25 milhões de passageiros passaram por voos internacionais ligados ao Brasil, recorde da série da Anac iniciada em 2000. A demanda adicional tende a manter companhias aéreas em ritmo de expansão de rotas, ainda que sob pressão de custos como combustível de aviação.
Gastos de viagens entram na conta de serviços do balanço de pagamentos e são tradicionalmente deficitários para o Brasil. Apesar do recorde, o déficit em transações correntes recuou para US$ 2,33 bilhões em junho — menos da metade do verificado um ano antes — graças ao forte superávit comercial de US$ 8,83 bilhões no mês.
Esse colchão de dólares gerados pelas exportações ajuda a conter pressões cambiais, criando ambiente mais previsível para quem planeja viagens ou precisa comprar moeda para importar insumos.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Além do turismo, outro destaque do semestre foi o Investimento Direto no País (IDP), que somou US$ 9,07 bilhões em junho e avançou cerca de 33% no acumulado do ano. Diante do desempenho, o Banco Central revisou para cima a projeção de entrada de capital produtivo em 2026: de US$ 70 bilhões para US$ 75 bilhões. O fluxo, embora abaixo dos US$ 78 bilhões de 2025, sinaliza confiança em projetos de longo prazo, principalmente em setores ligados a exportação de commodities e infraestrutura.
Para quem planeja viajar, o nível do dólar continua sendo o principal termômetro. Já para quem investe, vale acompanhar como o equilíbrio entre gastos de serviços e superávit comercial impacta o humor do mercado, a política monetária e, em última instância, a taxa Selic.
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