
Os acionistas minoritários do Santander Brasil poderão trocar seus papéis por ações do Banco Santander, na Espanha, ou optar por não participar da operação. A oferta não representa um fechamento compulsório de capital, mas pode reduzir ainda mais a liquidez das ações brasileiras caso seja bem-sucedida.
A possibilidade de uma operação desse tipo já vinha sendo especulada havia algum tempo e era recorrente nas conversas entre analistas e investidores. O que surpreendeu o mercado foi o momento do anúncio. Em relatório divulgado mais cedo, o JPMorgan havia afirmado que, diante de uma perspectiva desafiadora para o médio prazo, não tinha certeza de que esse risco se concretizaria em breve.
Para o investidor que possui SANB11 ou outros papéis do Santander Brasil, a decisão envolve escolher entre aceitar a troca por ações do grupo espanhol ou permanecer com os ativos brasileiros. A alternativa de não fazer nada é vista por alguns gestores como a opção mais arriscada.
Os acionistas que aceitarem a oferta receberão novas ações do Banco Santander nas seguintes proporções:
Se todas as ações detidas pelos acionistas minoritários forem incluídas na oferta, o Banco Santander emitirá aproximadamente 156 milhões de novas ações. Esse volume equivale a cerca de 1,1% do capital social atual do grupo.
Para permitir que o investidor brasileiro continue exposto ao Santander, o banco lançará um programa de BDRs. Os Brazilian Depositary Receipts são certificados negociados na B3 que representam ações emitidas no exterior.
Um gestor ouvido, que não possui posição no banco, afirmou que continuar com as units pode ser uma estratégia arriscada por causa da redução do free float. O termo representa a parcela das ações em circulação no mercado, excluindo a participação do controlador.
Atualmente, apenas cerca de 10% do capital está em circulação, e a liquidez, que já não é elevada, tende a diminuir ainda mais caso a oferta seja bem-sucedida. Na avaliação desse gestor, se tivesse as ações, ele faria a troca e depois venderia os papéis do Santander Espanha, considerados mais líquidos.
Esse risco está relacionado à possibilidade de haver menos ações disponíveis para negociação no mercado brasileiro. O material, porém, não informa uma obrigação de venda nem determina que o investidor precise aceitar a troca.
O Santander afirmou que, para os acionistas minoritários, a oferta representa uma oportunidade de realizar o valor do investimento com um prêmio em relação ao preço de mercado.
O banco também declarou que a operação permitirá que esses investidores se tornem acionistas de um dos principais grupos financeiros diversificados do mundo, com uma base de lucros mais ampla, lucratividade resiliente e histórico comprovado de criação de valor sustentável.
Para Ana Botín, presidente executiva do Banco Santander, a transação é um passo adicional para simplificar o grupo e, ao mesmo tempo, reforçar o compromisso de longo prazo com o Brasil.
A instituição acrescentou que a operação está alinhada à estratégia de entregar criação de valor aos acionistas no longo prazo e atende ao modelo de alocação de capital do grupo.
Em 2014, o Santander realizou uma operação semelhante ao propor uma troca de ações aos acionistas minoritários. Na ocasião, o prêmio oferecido foi de cerca de 20% sobre o valor de mercado.
Naquele momento, o banco afirmou que não tinha intenção de sair da bolsa brasileira, mas sim de melhorar a avaliação das ações.
O múltiplo de valor patrimonial pago agora também foi parecido com o de 2014, na faixa de 1,1 a 1,2 vez o valor patrimonial.
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