
As mulheres são maioria entre os trabalhadores do mercado de seguros e de previdência privada aberta no Brasil, mas continuam sub-representadas nos cargos de liderança e na contratação de produtos do setor. A constatação está na primeira edição da pesquisa FeMa Meter, divulgada em 2 de agosto de 2026 pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão responsável por supervisionar o segmento.
O levantamento reúne dados de 142 empresas supervisionadas pela autarquia e analisa a participação feminina em duas frentes: como profissionais das empresas e como consumidoras de seguros e planos de previdência privada aberta. A iniciativa deve servir de base para a formulação de políticas públicas voltadas à inclusão no mercado securitário.
Entre as empresas participantes, as mulheres representam 54,4% da força de trabalho. No entanto, essa presença não se mantém nos postos de maior poder de decisão:
De acordo com a pesquisa, a presença feminina diminui conforme aumenta o nível hierárquico dentro das empresas. O resultado evidencia um desequilíbrio entre a participação das mulheres na força de trabalho e o acesso a posições estratégicas de liderança.
O estudo identificou ainda que as mulheres contratam menos produtos de seguros e de previdência privada aberta do que os homens. A Susep afirma que compreender esse comportamento é importante para ampliar a inclusão securitária e desenvolver produtos mais adequados ao perfil das consumidoras.
Na prática, a pesquisa trata de dois aspectos do mercado: a presença das mulheres nas empresas que oferecem seguros e previdência privada aberta e sua participação como titulares desses produtos. A previdência privada aberta é formada por planos oferecidos ao público por entidades abertas de previdência complementar, enquanto os seguros abrangem, entre outros segmentos analisados, as modalidades de automóveis e residenciais.
A pesquisa utilizou informações referentes a 31 de dezembro de 2024, enviadas por 142 empresas supervisionadas pela Susep. Desse total, 129 eram seguradoras e 13 eram entidades abertas de previdência complementar.

O levantamento empregou a ferramenta FeMa Meter, desenvolvida pela Access to Insurance Initiative, organização internacional sem fins lucrativos criada para promover a inclusão em seguros, especialmente em países em desenvolvimento e mercados emergentes.
Os dados foram complementados por planilhas elaboradas pela Susep para coletar informações adicionais sobre seguros de automóveis, seguros residenciais e previdência privada aberta. As informações passaram por etapas de validação e comparação com outras bases da autarquia antes da consolidação dos resultados.
A pesquisa faz parte do Plano de Regulação da Susep para 2025 e integra iniciativas destinadas a produzir informações para orientar políticas públicas no mercado de seguros.
Segundo a autarquia, o objetivo é ampliar o conhecimento sobre a participação feminina no setor e contribuir para a construção de um mercado mais inclusivo, tanto para profissionais quanto para consumidores. O relatório completo está disponível no portal da Susep.
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