
Taj Tarsha, fundador da plataforma de criptomoedas e projeto de NFT Few and Far, foi indiciado na quarta-feira (5) no sul do estado de Nova York, nos Estados Unidos, sob suspeita de participar de uma fraude superior a US$ 10 milhões. A acusação afirma que o dinheiro captado de investidores para desenvolver um mercado de negociação de tokens foi usado em apostas online, compras de criptomoedas de alto risco e despesas pessoais.
De acordo com os procuradores americanos, 67 pessoas físicas e jurídicas compraram direitos futuros sobre os criptoativos nativos do Few and Far. A captação ocorreu sob uma garantia contratual de desenvolvimento contínuo da interface de negócios destinada aos usuários da internet.
O caso envolve recursos levantados com promessas relacionadas à tecnologia e aos ativos digitais. Para quem acompanha criptomoedas, o episódio também destaca o risco de aportar dinheiro em projetos cuja entrega depende de desenvolvimento futuro e cujos ativos podem sofrer forte desvalorização.
A peça de acusação sustenta que, logo após receber os aportes, o executivo teria transferido o capital de forma oculta para contas em plataformas virtuais de azar. Parte do dinheiro teria sido usada em cassinos na internet e na compra de criptomoedas com alto risco de desvalorização imediata.
Os procuradores também afirmam que Tarsha criou mecanismos para retirar quase US$ 1 milhão dos caixas da empresa sob o pretexto de pagar bonificações por metas de vendas atingidas. As transferências teriam sido escondidas dos parceiros de negócios e de um dos criadores da organização, que estava em processo de falência.
O empresário, de 34 anos, teria reconhecido em conversas privadas que não fazia sentido aprovar salários elevados em uma empresa sem produtos funcionais. Ainda assim, as receitas zeradas da companhia não teriam interrompido o uso dos recursos depositados pelos financiadores com base nas promessas comerciais.
Uma auditoria independente identificou irregularidades financeiras durante averiguações solicitadas em junho do ano passado. Segundo a acusação, Tarsha teria construído uma narrativa com argumentos falsos para justificar os saques e acalmar os financiadores do projeto.
Nos bastidores da operação, a liderança corporativa teria demitido quase todos os funcionários da área de tecnologia e encerrado os contratos vigentes. Apenas um prestador de serviços teria permanecido na folha de pagamento, em uma tentativa de simular algum progresso no desenvolvimento das ferramentas de negociação virtual.
Os desvios teriam continuado por mais de 12 meses. Parte dos gastos foi direcionada à compra de um apartamento de luxo em Miami, além do pagamento de escritórios de decoração de interiores e de equipamentos para estúdios musicais.
Tarsha também mantinha o passatempo de produzir festas usando dinheiro que, de acordo com a acusação, deveria ser destinado aos programadores e engenheiros originalmente envolvidos no projeto. O esquema teria comprometido os recursos da empresa e causado perdas aos entusiastas e financiadores de negócios emergentes.
Como parte do projeto, foi lançado às pressas o criptoativo chamado FAR. A entrega do token, porém, não evitou a queda de seu preço para valores próximos de zero pouco depois de ele aparecer nas listagens de um número limitado de corretoras.
O indiciamento descreve suspeitas de fraude e desvios financeiros; ele não representa, por si só, uma condenação definitiva. O caso tramita na comarca do sul do estado de Nova York.
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