
Rio Tinto e seus parceiros conseguiram um pacote de US$ 1,8 bilhão dos governos federal e estadual da Austrália para manter em operação a fundição de alumínio de Tomago, em New South Wales. A unidade é a maior do país e enfrenta pressão dos altos custos de energia.
O acordo prevê, como contrapartida, investimentos de cerca de US$ 790 milhões na fábrica. Também estão previstas mudanças para que a fundição reduza o consumo de eletricidade nos momentos de maior demanda da rede.
A Austrália é um dos principais fornecedores mundiais de matérias-primas utilizadas na produção de alumínio e possui uma cadeia integrada que vai da bauxita ao metal. O país é o segundo maior produtor global de bauxita, com 22% da oferta mundial, e deve produzir cerca de 1,7 milhão de toneladas de alumínio primário por ano.
Sozinha, Tomago responde por mais de um terço da produção australiana de alumínio. A unidade produz cerca de 590 mil toneladas do metal por ano, o equivalente a 37% de toda a produção de alumínio primário do país. Aproximadamente 90% desse volume é destinado a mercados da região Ásia-Pacífico, segundo a própria Tomago.
A preservação da fábrica ocorre em um momento de oferta mais apertada no mercado internacional e de preços elevados do alumínio. O governo australiano estima que a demanda alta, impulsionada, entre outros fatores, pela transição energética, e as restrições de oferta mantenham os preços em níveis altos.

A projeção oficial é de preço médio de US$ 3.425 por tonelada no segundo semestre de 2026. Essa é uma estimativa, e não um preço já realizado.
A eletricidade representa mais de 40% dos custos operacionais de Tomago, de acordo com uma afirmação anterior da Rio Tinto. A planta consome cerca de 950 megawatts continuamente e responde por aproximadamente 12% da demanda elétrica de New South Wales, segundo a companhia.
Em dezembro, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, havia prometido apoio financeiro depois que a Rio Tinto alertou que a escalada dos custos poderia obrigar a fábrica a fechar quando seu atual contrato de fornecimento de eletricidade expirar, no fim de 2028.
O novo acordo também deverá sustentar quase 3 gigawatts de nova geração renovável, segundo o comunicado citado pela Bloomberg. Além disso, os donos da fábrica se comprometeram a destinar aproximadamente US$ 72 milhões à redução de emissões.
“Este acordo garante mais de 1.000 empregos em Tomago e milhares de outros que dependem da fundição”, afirmou Chris Minns, premiê de New South Wales.

A Rio Tinto detém 51,55% da fundição, que opera desde 1983. A Gove Aluminium Finance possui 36,05% e a Hydro Aluminium, da Norsk Hydro, tem os 12,4% restantes.
O pacote de Tomago não é o primeiro concedido à Rio Tinto para preservar uma operação de alumínio intensiva em energia na Austrália. Em março, a empresa recebeu o equivalente a cerca de US$ 1,4 bilhão em apoio combinado dos governos federal e estadual para sua fundição de Boyne, em Queensland.
Outras empresas também receberam ajuda pública para manter ativos industriais de alto consumo energético no país. No ano passado, a Glencore obteve apoio para sua fundição de cobre de Mount Isa e uma refinaria associada. Já a Nyrstar Australia, subsidiária do Trafigura Group, recebeu recursos para a fundição de chumbo de Port Pirie e as operações de zinco de Hobart.
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