Cosan anuncia cisão de R$ 2,57 bilhões, mudanças na diretoria e saída da Bolsa de Nova York

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoAções9 minutos atrás8 Visualizações

A Cosan (CSAN3) anunciou nesta sexta-feira (14) um conjunto de medidas para simplificar sua estrutura corporativa. O plano inclui mudanças na diretoria, a reestruturação societária do Grupo Radar e a deslistagem voluntária dos American Depositary Shares (ADSs) da Bolsa de Nova York (NYSE).

As alterações também envolvem uma operação que poderá incorporar à Cosan uma parcela próxima de R$ 1,29 bilhão do patrimônio da Radar II Propriedades Agrícolas, além de uma nova projeção para a capacidade de cobertura dos juros da dívida até o fim de 2026.

Mudanças na diretoria começam em setembro

Rafael Bergman, atual diretor vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores, e Maria Rita de Carvalho Drummond, vice-presidente jurídica, renunciaram aos cargos. As mudanças passarão a valer em 1º de setembro.

José Cezário Menezes de Barros Sobrinho assumirá a posição de diretor vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores. Ele já ocupou o mesmo cargo na Rumo (RAIL3), companhia investida pela Cosan.

Com a mudança, a área jurídica da Cosan passará a responder ao novo vice-presidente financeiro.

Radar II será cindida e terá patrimônio distribuído entre as acionistas

A companhia convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre ajustes em seu estatuto social e sobre a reestruturação societária do Grupo Radar.

A operação prevê a cisão total da Radar II Propriedades Agrícolas, seguida da incorporação de seu patrimônio pela Cosan e pela Mansilla Participações, suas duas acionistas. A cisão é uma reorganização em que a empresa será extinta e seus ativos, passivos, direitos e obrigações serão distribuídos entre as acionistas.

O patrimônio líquido da Radar II foi avaliado em aproximadamente R$ 2,57 bilhões em laudo elaborado pela PwC com base no balanço de 30 de junho de 2026. Como Cosan e Mansilla detêm, respectivamente, cerca de 50% da Radar II, cada uma deverá ficar com uma parcela próxima de R$ 1,29 bilhão.

Segundo a Cosan, a operação não prevê aumento de capital, emissão de novas ações ou diluição dos atuais acionistas. A empresa afirma que os ativos já estão refletidos em seu balanço pelo método de equivalência patrimonial.

Na prática, a companhia pretende eliminar a Radar II como veículo societário intermediário e passar a deter diretamente as participações nas empresas que integram o portfólio do Grupo Radar. A Cosan afirma que o objetivo é reduzir custos, diminuir a burocracia e tornar a gestão dos ativos mais eficiente.

Se for aprovada nas assembleias necessárias, a cisão deverá produzir efeitos a partir de 1º de outubro de 2026. A empresa estima em aproximadamente R$ 500 mil os custos e as despesas para implementar a operação, incluindo auditoria, avaliação, assessoria jurídica, registros e publicações.

A Cosan também afirma que a reorganização não altera a participação dos acionistas, não envolverá emissão de novas ações e não provocará diluição. A companhia declarou não identificar riscos relevantes específicos na operação, mas a conclusão ainda depende da aprovação dos acionistas da Radar II, da própria Cosan e dos sócios da Mansilla.

Cosan pretende deixar a Bolsa de Nova York

Outra medida anunciada é a deslistagem voluntária dos ADSs da Cosan na NYSE, onde os papéis são negociados sob o código CSAN. Cada ADS representa quatro ações ordinárias da companhia.

Depois da conclusão da deslistagem, a Cosan pretende solicitar também o cancelamento de seu registro perante a SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.

A empresa ressalvou, porém, que a deslistagem dos ADSs não significa o cancelamento imediato do registro perante a SEC. O processo seguirá um cronograma regulatório que ainda será divulgado, com informações sobre o tratamento do programa de ADSs e as alternativas disponíveis aos investidores que possuem esses ativos.

Empresa projeta cobertura de juros entre 0,8 e 1,2 vez

A Cosan também passou a divulgar uma projeção para a cobertura de juros do serviço da dívida. A empresa estima que o indicador deverá convergir para uma faixa entre 0,8 vez e 1,2 vez até o fim de 2026, conforme as premissas apresentadas no resultado do segundo trimestre.

Esse indicador mostra a capacidade da companhia de cobrir as despesas financeiras com os recursos gerados por suas operações. Quanto maior a cobertura, maior tende a ser a folga financeira para honrar os juros da dívida.

A Cosan destacou que a projeção é uma hipótese baseada nas expectativas atuais da administração e pode mudar diante das condições macroeconômicas e de mercado. A empresa afirmou que atualizará o mercado caso haja alterações nessa estimativa.

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