
A Marabraz pediu recuperação judicial no sábado, na Justiça de São Paulo, com R$ 140 milhões em dívidas. A rede atribui a crise à combinação de juros altos, consumo fraco e uma disputa familiar que afetou o acesso a imóveis usados como garantia para obter crédito.
O conflito envolve a família Fares e a LP Administradora de Bens, holding que concentra o patrimônio imobiliário da família. Os imóveis nunca pertenceram à Marabraz, mas eram apresentados aos bancos como reforço de garantia quando a rede precisava contratar financiamentos.
O mecanismo funcionava havia décadas: o dinheiro que sobrava da operação da Marabraz era reinvestido em imóveis. Depois, esse patrimônio era usado como garantia na contratação de crédito. Foi dessa forma que a empresa conseguiu, por anos, boas linhas de financiamento.
A LP Administradora de Bens reúne um patrimônio estimado em R$ 5 bilhões. Em 2011, os irmãos Nasser, Jamel e Adiel Fares transferiram suas cotas da holding para os seis filhos. A medida foi adotada como blindagem contra o passivo fiscal das lojas e funcionou por alguns anos, até o conflito entre as gerações.
Em dezembro de 2024, Nasser e Jamel, sem a participação de Adiel, processaram filhos e sobrinhos para tentar reaver os 66% transferidos anteriormente.
Os dois venceram em primeira instância em março de 2025. Em setembro, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu a sentença.
O acórdão não deu razão integral a nenhum dos lados. A decisão reconheceu que a transferência realizada em 2011 teve o propósito de blindagem patrimonial, mas concluiu que isso, por si só, não era suficiente para anular o negócio.
Com a decisão, os herdeiros permaneceram com a holding. Nasser continuou como CEO da Marabraz, enquanto Jamel permaneceu responsável pela área financeira. Assim, os executivos que respondem pelas dívidas da rede perderam o acesso aos imóveis que serviam como garantia dessas obrigações.
Após a perda do lastro imobiliário, os bancos cortaram limites, encareceram as linhas de crédito e, em vários casos, deixaram de renovar o capital de giro da empresa. Capital de giro é o recurso usado para manter as operações do dia a dia, como pagamentos e compras necessárias ao funcionamento do negócio.
“Formou-se um círculo progressivo de deterioração financeira”, afirmou a Marabraz no pedido de recuperação judicial.
A empresa declarou que continua operando, com as lojas abertas, e que o processo tem como objetivo “organizar compromissos”, preservar empregos e manter os fornecedores.
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