
Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, defendeu a anistia para mais de mil condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e para pessoas condenadas por outros crimes que, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), configuraram uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. Entre os condenados está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Zema, que se encontra em prisão domiciliar.
A declaração foi dada na noite de segunda-feira (24), durante entrevista à Rede Globo que abriu a série de sabatinas com os principais candidatos à Presidência nas eleições de 2026. Ao justificar sua posição, Zema perguntou: “Teve tiro disparado?”. Para o candidato, os atos foram vandalismo, enquanto o STF teria atuado como “tribunais que mais fazem política” do que justiça.
Zema também é defensor de processos de impeachment contra ministros do Supremo, principalmente Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados ao 8 de janeiro e à tentativa de golpe no país. Ainda durante seu mandato como governador de Minas Gerais, ele protocolou no Congresso processos de impedimento contra ministros da Corte.
Durante a sabatina, o candidato foi questionado sobre como lidaria com a dívida pública brasileira de R$ 10 trilhões caso fosse eleito. Também foi confrontado com o histórico de Minas Gerais, onde, conforme apresentado na entrevista, a dívida cresceu quase 100% ao longo de oito anos de mandato.
Zema atribuiu o endividamento a uma dívida herdada dos anos 1990 e ao custo dos juros cobrados pelo governo federal. “Foi uma dívida herdada nos anos 1990 e que cresceu com a agiotagem do governo federal”, afirmou, referindo-se à taxa básica de juros, definida pelo Banco Central (BC), órgão independente do governo.
De acordo com o candidato, a dívida do governo de Minas Gerais equivalia a 192% da receita corrente quando ele assumiu, em 2019. O percentual, segundo Zema, caiu para 160% quando deixou o cargo para se candidatar à Presidência, em abril deste ano.
O ex-governador também foi questionado sobre como poderia defender austeridade e cortes nos salários do funcionalismo público após ter reajustado em 300% os salários dele próprio, do vice-governador e de secretários, sem aplicar o mesmo aumento a outros servidores.
Zema respondeu que foi um “governador voluntário” e que repassou seus salários para as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs). Ele também afirmou que um secretário de Educação do Estado recebia menos do que um secretário de Educação de cidades.
Segundo o candidato, os salários dos cargos do Executivo de Minas Gerais não tinham penduricalhos que aumentassem indiretamente a remuneração desses servidores.
Na entrevista, Zema defendeu ainda o direito de uma pessoa não se vacinar ao comentar surtos de sarampo no Brasil em meio a uma nova onda de desinformação nas redes sociais contra a imunização.
“É um direito do cidadão falar ‘eu não concordo com a vacina’”, declarou. Para o candidato, o governo não deveria obrigar a vacinação. A justificativa apresentada foi que o mesmo governo não iria atrás de criminosos que matam mais do que doenças.
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