Petróleo cai cerca de 5% com relatos de avanço em cessar-fogo entre EUA e Irã

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro4 minutos atrás8 Visualizações

Os preços do petróleo recuaram cerca de 5% nesta terça-feira (25), após relatos de avanço nas negociações por um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. A possibilidade de redução das tensões diminuiu os temores de interrupções no fornecimento da commodity e de uma escalada do conflito na região.

O movimento também reduziu o chamado prêmio de risco do petróleo, valor adicional incorporado às cotações quando os participantes do mercado temem que um conflito possa comprometer a produção ou o transporte da commodity.

O Brent recuou 5,03%, para US$ 85,99, enquanto o WTI caiu 4,69%, para US$ 81,02. Os dois contratos são referências para o mercado internacional de petróleo.

Negociações preveem corredor marítimo em Ormuz

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, discutiram um “marco provisório” para retomar o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. A informação consta de uma declaração conjunta divulgada pela Agência de Notícias de Omã.

A proposta prevê a criação de um “corredor marítimo conjunto temporário” e um projeto de remoção de minas para restabelecer a navegação segura na região. As negociações técnicas entre os dois países continuarão com o objetivo de estabelecer um corredor permanente, definir a futura administração do estreito e criar mecanismos para troca de informações, gerenciamento do tráfego e prestação de serviços marítimos e de segurança.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo e gás. Antes do fechamento, por ele passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. A via marítima permanece em grande parte fechada desde março, quando o Irã bloqueou o estreito após ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro.

Declaração de Trump sobre retirada de minas não foi comprovada

Mais cedo nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana havia removido as minas do estreito, em uma medida destinada a permitir a retomada do fluxo de navios pela rota.

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Foto: Foto: reprodução

Trump também declarou que o Irã havia sido informado de que qualquer embarcação que instalasse novas minas seria “imediatamente e sistematicamente destruída”.

O presidente americano, porém, não apresentou evidências para sustentar a afirmação de que o estreito havia sido completamente desminado. Autoridades europeias já haviam demonstrado ceticismo em relação a declarações anteriores, devido à natureza complexa e demorada da remoção de minas.

Outros países podem participar das discussões

Teerã havia afirmado anteriormente que estava concentrado nas negociações com Omã, país também banhado pelo Estreito de Ormuz, e que essas conversas eram independentes das negociações paralisadas com Washington.

Nesta terça-feira, contudo, surgiram sinais de que outros países da região podem participar das discussões. O comunicado conjunto de Irã e Omã afirmou que os dois lados “enfatizaram a importância de realizar negociações conjuntas com os países regionais que fazem fronteira com as águas do Golfo Pérsico”.

Albusaidi afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que as conversas com parceiros regionais serão realizadas em apoio à paz e à cooperação, à estabilidade e à liberdade de navegação.

Um acordo para facilitar o tráfego pelo estreito poderia ajudar a criar condições para a retomada das negociações entre Irã e Estados Unidos. Para Anna Jacobs, pesquisadora não residente do Arab Gulf States Institute, trata-se de “um pequeno passo na direção certa”, mas a reação e a coordenação dos Estados Unidos serão importantes para avaliar o quanto a iniciativa é séria.

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Jacobs também afirmou que Omã continua trabalhando para encontrar compromissos aceitáveis tanto para Washington quanto para Teerã, mas que “a variável imprevisível é Trump e se seu governo apoiaria esse marco”.

Por que o mercado de petróleo reagiu

Uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz é relevante para o mercado porque reduziria o risco de interrupções no transporte de petróleo e gás pela região.

Com a possibilidade de diminuição das tensões entre Irã e Estados Unidos e de retomada da navegação, os investidores passaram a considerar menos provável um choque prolongado de oferta. Essa percepção ajuda a explicar a forte queda dos contratos de petróleo nesta terça-feira.

A viagem de Albusaidi ocorreu um dia depois de uma visita do chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir. Omã e Paquistão têm desempenhado papéis de mediadores nas negociações entre Washington e Teerã.

Um porta-voz do gabinete do presidente iraniano afirmou que a visita de Munir foi “altamente produtiva e gerou resultados diplomáticos muito valiosos”. Já a agência de notícias semioficial Tasnim informou que Munir buscou “criar espaço para negociações e transmitir as condições e posições do Irã ao lado americano”.

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