Avianca fecha financiamento de até US$ 300 milhões para manutenção de motores no Brasil

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro5 horas atrás9 Visualizações

A Avianca fechou um acordo de financiamento de até US$ 300 milhões para contratar manutenção, reparo e revisão de motores de aeronaves no Brasil. Anunciada em 8 de setembro de 2026, a operação destinará os recursos a serviços na Celma, unidade da GE Aerospace em Petrópolis (RJ), em um momento de forte demanda e restrições de capacidade nesse segmento.

O anúncio foi feito pela companhia aérea, pela GE Aerospace e pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF). A Avianca integra o Abra Group, ao lado da Gol e da Wamos Air.

O financiamento será voltado aos motores CFM56, família de motores a jato presente em milhares de aeronaves comerciais, incluindo versões do Airbus A320 e do Boeing 737. A Celma é especializada na manutenção e revisão desses equipamentos.

Como será estruturado o financiamento

O Citibank será responsável pela estruturação da operação, que contará com o Seguro de Crédito à Exportação (SCE), administrado pela ABGF. Segundo as empresas, trata-se do primeiro financiamento nesse modelo obtido por uma companhia aérea estrangeira para contratar manutenção de motores de aeronaves no Brasil.

O SCE cobre o risco de inadimplência em exportações de bens e serviços brasileiros. Essa garantia permite que uma empresa estrangeira obtenha financiamento para contratar serviços de uma companhia brasileira.

Na avaliação de Maíra Madrid, presidente da ABGF, o acordo ajuda a ampliar a atuação internacional das empresas brasileiras e a fortalecer a participação do Brasil no setor aeroespacial.

Felipe Gutierrez, diretor de operações da Avianca, afirmou que uma frota confiável e eficiente é essencial para proporcionar a experiência que os clientes merecem. Segundo ele, o financiamento oferece mais flexibilidade para cumprir os planos de manutenção e seguir investindo na confiabilidade e no desempenho da operação.

Mahendra Nair, vice-presidente do grupo de vendas comerciais globais da GE Aerospace, classificou a estrutura como uma iniciativa inédita com a ABGF. De acordo com o executivo, ela viabiliza o acesso da Avianca aos serviços de manutenção da unidade brasileira.

Operação brasileira concentra 25% da manutenção da GE Aerospace

A Celma, em Petrópolis, é a principal operação da GE Aerospace para manutenção de motores na América Latina. Segundo a empresa, aproximadamente 25% de toda a manutenção de motores que realiza no mundo passa pela estrutura brasileira.

Essa estrutura reúne cinco unidades distribuídas entre Petrópolis, Rio de Janeiro e Três Rios, no estado do Rio de Janeiro. O acordo com a Avianca reforça a importância do país nessa atividade.

A GE Aerospace também está expandindo sua capacidade no Brasil. Em Três Rios, a ampliação em andamento pretende elevar de cerca de 600 para 1.000 o número de motores que a unidade consegue atender por ano.

Manutenção de motores movimentou US$ 50 bilhões em 2024

Um estudo da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) aponta que os serviços de manutenção de motores movimentaram cerca de US$ 50 bilhões em 2024. O valor correspondeu a uma parcela entre 40% e 50% de todos os gastos das companhias aéreas com manutenção de aeronaves.

O CFM56, utilizado pela Avianca e contemplado pelo acordo no Brasil, permanece entre as principais famílias de motores em operação. Segundo a IATA, mais de 23 mil estavam em serviço no fim de 2024. O estudo estima que o pico de revisões dessa família em oficinas tenha ocorrido em 2025, com aproximadamente 2 mil serviços.

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Foto: Foto: reprodução

Esses motores equipam muitas aeronaves comerciais de gerações anteriores, entre elas versões do Airbus A320 e do Boeing 737. Mesmo com a renovação das frotas, o grande número de CFM56 ainda em uso sustenta uma demanda relevante por peças e manutenção.

A expectativa é que a procura por serviços continue crescendo nos próximos anos também com a entrada em operação de uma nova geração de aeronaves. À medida que acumulam horas de voo, seus motores precisam passar por reparos e revisões.

Entre os modelos dessa geração estão o LEAP, da CFM International, e o GTF, da Pratt & Whitney. A IATA estima que, até 2040, os LEAP possam superar 5 mil revisões anuais, enquanto os GTF devem ultrapassar 2 mil.

Os valores envolvidos nesses serviços podem ser elevados: conforme o problema identificado e o tipo de reparo necessário, a manutenção de um único motor pode custar milhões de dólares.

Falta de peças e atrasos pressionam os custos das companhias

A demanda elevada encontra limitações na oferta de peças e na capacidade das oficinas. Essas restrições têm prolongado o período em que algumas aeronaves ficam fora de operação, aguardando motores ou serviços de manutenção.

Em entrevista em junho de 2026, Willie Walsh apontou o fornecimento de motores como o principal gargalo do setor. Na ocasião, ele ainda era diretor-geral da IATA. Posteriormente, deixou o cargo e assumiu como CEO da companhia aérea indiana IndiGo.

Walsh afirmou que a dificuldade não se limitava aos motores destinados a aeronaves novas: também atingia aviões já entregues, parados em solo à espera de substituições e peças. O executivo considerou essa situação inaceitável.

Segundo sua estimativa, a falta de motores e peças provocou um impacto financeiro de cerca de US$ 11 bilhões em 2025. A conta inclui despesas adicionais com combustível, manutenção, leasing e interrupções operacionais.

Os atrasos nas entregas de aeronaves novas também levaram as companhias a manter aviões mais antigos em atividade. A idade média da frota global chegou a 15,2 anos, ante uma média histórica de 13,7 anos. Segundo Walsh, uma frota mais antiga exige mais manutenção, consome mais combustível e eleva os custos de leasing.

Ao criticar os fabricantes de motores pelos atrasos, Walsh afirmou que o setor já havia perdido a paciência e cobrou a conclusão dos reparos e uma melhora no desempenho das empresas.

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