Juros futuros sobem com Brent a US$ 101,21 e novas medidas para combustíveis

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoAções40 minutos atrás8 Visualizações

As taxas dos contratos de juros futuros subiram no Brasil na quarta-feira, 9 de setembro de 2026, pressionadas pela alta do petróleo, pelo avanço dos rendimentos dos títulos públicos americanos e pela reação negativa do mercado às novas medidas federais para combustíveis. O petróleo Brent para novembro atingiu US$ 101,21 por barril, enquanto o governo anunciou redução de tributos sobre gasolina e etanol e subvenção adicional ao diesel.

O movimento foi mais intenso nos contratos com vencimentos em 2029 e 2031 do que no de curtíssimo prazo, para janeiro de 2027. Embora o corte de tributos deva aliviar a inflação de setembro, profissionais do mercado apontaram preocupações fiscais e riscos para os preços no longo prazo.

Como ficaram as taxas dos contratos de DI

Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão com os seguintes resultados:

  • Janeiro de 2027, de curtíssimo prazo: taxa de 13,580%, ante 13,571% no fechamento anterior, com aumento de 0,9 ponto-base.
  • Janeiro de 2029, de médio prazo: taxa de 13,865%, contra 13,705% na sessão anterior, avanço de 16 pontos-base.
  • Janeiro de 2031: taxa de 14,095%, ante 13,902% no fechamento de terça-feira, 8 de setembro, com alta informada de 19 pontos-base.

Para Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg, o movimento doméstico foi reforçado pelo ambiente internacional. “Hoje [quarta-feira] o mercado de juros teve uma correção e dinâmica do exterior amplifica esse movimento”, afirmou.

Corte de tributos pode aliviar o IPCA, mas gera ressalvas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que reduziu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro. Para o etanol, o corte foi de R$ 0,19 por litro, zerando a tributação do produto. Uma Medida Provisória também assinada pelo presidente prevê subvenção adicional de R$ 1 por litro de diesel, com o objetivo de manter os preços estáveis nas bombas.

A estimativa de Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, é que a medida retire 0,15 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro. Desse total, 0,11 ponto corresponde à gasolina e 0,04 ponto ao etanol.

A perspectiva de alívio imediato, porém, não impediu uma avaliação negativa do subsídio pelo mercado, inclusive sob o aspecto inflacionário. “Melhora a inflação de curto prazo, mas piora a de longo prazo com o impulso gerado”, disse Eduardo Cohn, gestor de portfólio da Heritage Capital.

Um estrategista de uma grande tesouraria, que falou sob anonimato, apontou o risco de um rebote da inflação em 2027, depois de ela ficar “represada” em 2026.

A proximidade das eleições também entrou nas críticas. Ao comentar a redução do PIS/Cofins sobre a gasolina, um trader declarou à Broadcast, em caráter reservado: “É uma medida ruim por todos os lados, não só pelo fiscal. A eleição está chegando e o ‘saco de maldades’ está solto”. Na avaliação dele, outras iniciativas semelhantes ainda podem ser anunciadas às vésperas da votação.

Petróleo e títulos americanos reforçam a pressão

O anúncio das medidas para combustíveis coincidiu com uma alta superior a 3% dos contratos futuros de petróleo. O Brent para novembro, referência para a Petrobras, chegou a US$ 101,21 por barril, seu maior nível desde o fim de julho.

Após trocas de ataques entre os dois lados, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou na tarde de quarta-feira que não buscava um acordo com Teerã. Ele também previu que a guerra só deveria terminar em novembro, declaração que renovou as expectativas de continuidade da pressão sobre o petróleo.

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, permaneceram próximos das máximas da sessão durante a tarde. Por volta das 18h05, no horário de Brasília, o título de dois anos, mais sensível à política monetária, tinha rendimento de 4,436%, ante 4,427% no ajuste anterior.

No mesmo horário, o retorno do título de dez anos estava em 4,845%, comparado a 4,837% na sexta-feira anterior. Esse papel serve de referência para empréstimos imobiliários, financiamentos de veículos e dívidas de cartão de crédito nos Estados Unidos. Em outro registro da tarde, às 17h13, seu rendimento avançava de 4,794% para 4,839%.

O valor de uma recompra de títulos da dívida pública, anunciado pelo Tesouro americano na quarta-feira, também impulsionou os rendimentos. A operação prevista para quinta-feira, 10 de setembro, será de US$ 6 bilhões e abrangerá papéis de dez a 20 anos.

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