
A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autorizou, sem impor restrições, a compra da fabricante de equipamentos militares Avibras pela Globe Investimentos, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. A decisão foi tomada no fim da tarde de segunda-feira, 14 de setembro de 2026, mas ainda não é definitiva. Anunciado em agosto, o negócio marca a entrada dos empresários no setor de defesa.
A operação envolve a totalidade das ações da Nova AVB, holding que detém o controle integral da Avibras Aeroco. Atualmente, o controle está com o fundo Brasil Crédito, no qual Joesley já participava como cotista. O preço da aquisição não foi informado.
A publicação da decisão no Diário Oficial da União estava prevista para terça-feira, 15 de setembro. O prazo para apresentação de recursos por terceiros interessados ou para o Tribunal do Cade chamar o processo para julgamento termina em 30 de setembro. Sem nenhuma dessas iniciativas até essa data, o aval da Superintendência passa a ser definitivo.
A Globe é o family office dos irmãos Batista: segundo os empresários, a empresa reúne investimentos pessoais da família que ficam fora da J&F S.A.
A Avibras Aeroco foi criada para concentrar ativos industriais e tecnológicos da Avibras Indústria Aeroespacial, que continua em recuperação judicial. Entre os produtos de seu portfólio estão o sistema de artilharia Astros, mísseis, foguetes e veículos especiais.
Quando anunciou o acordo, a Globe declarou que sua intenção era apoiar a retomada das operações da fabricante e manter sua capacidade industrial e tecnológica.

Antes de autorizar a aquisição, o Cade solicitou esclarecimentos sobre a contratação de serviços e a compra de insumos em segmentos nos quais os Batista também atuam, entre eles energia, mineração e celulose. Os questionamentos incluíram os fornecedores da fabricante e uma possível relação comercial com a Eletronuclear.
Em sua resposta, a Nova AVB informou que não comprava minério de ferro, manganês, gás natural ou celulose e negou manter qualquer relação comercial com a Eletronuclear. A empresa confirmou que consumia energia elétrica e contratava serviços de logística, mas argumentou que o volume de sua demanda nesses mercados era insuficiente para suscitar preocupações concorrenciais.
A Superintendência levou esses esclarecimentos em conta no parecer e classificou o negócio como uma “substituição de agente econômico”. Com isso, concluiu que não seria necessário aprofundar o exame dos mercados envolvidos. A análise seguiu o rito sumário, procedimento reservado a operações de menor complexidade concorrencial.
Além da possibilidade de revisão do aval, a conclusão da compra ainda tem outras condições. Em comunicado divulgado em 2 de setembro, a Avibras afirmou que, mesmo após a aprovação do Cade, a transação dependeria dos demais trâmites necessários ao fechamento, sem detalhar quais seriam eles.
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