Selic a 13,75%: analistas veem reação moderada nos juros e possível pressão sobre o real

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoAções3 horas atrás8 Visualizações

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira (16 de setembro), de 14% para 13,75% ao ano, conforme o comunicado da decisão. Com o corte já assimilado pelos mercados, analistas esperam uma reação moderada dos juros futuros e avaliam a possibilidade de abertura positiva do Ibovespa (IBOV) na quinta-feira (17). Para o real, porém, a alta dos juros nos Estados Unidos é apontada como um possível fator de pressão.

Foi a quinta flexibilização dos juros, novamente aprovada por unanimidade e em linha com a expectativa do mercado. O Copom afirmou que a redução é compatível com sua estratégia de levar a inflação para perto da meta ao longo do horizonte relevante. A comunicação trouxe poucas mudanças em relação à de agosto.

Há uma divergência no registro da taxa brasileira: a abertura informa Selic de 13,74% ao ano após o corte, enquanto o comunicado do Copom e a descrição detalhada da decisão registram 13,75%.

Ibovespa: exterior deve continuar influenciando o pregão

Para Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, a reação do Ibovespa à decisão tende a ser mais amena, com o cenário externo mantendo influência predominante sobre o desempenho do índice.

Um dos sinais observados era o EWZ, fundo que replica o índice MSCI Brasil, composto pelas principais ações da bolsa brasileira. Por volta das 19h de quarta-feira, no horário de Brasília, o fundo subia 1,39%, a US$ 38. No pregão regular, havia encerrado em queda de 0,79%, cotado a US$ 37,46.

Augusto Parente, especialista em investimentos, fundador e sócio da AW Capital, também avalia que a Bolsa pode começar a sessão em alta. Sua expectativa se apoia na interpretação de que o Banco Central não descartou novas reduções da Selic nas próximas reuniões.

Juros futuros: decisão esperada limita perspectiva de reação

Os estrategistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró, da Warren Rena, não esperam uma reação relevante do mercado de juros à decisão. Na avaliação da equipe, o corte correspondeu ao que a maior parte do mercado já incorporava aos preços, e as alterações na comunicação foram mínimas.

Antes do anúncio, a curva de juros futuros já precificava uma redução de 13 pontos-base na Selic para a reunião do Copom de novembro.

No fechamento de quarta-feira (16), os registros das taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) mostravam:

  • Janeiro de 2027, de curtíssimo prazo: taxa de 13,580%, praticamente estável em relação aos 13,579% do ajuste anterior.
  • Janeiro de 2036, de longo prazo: taxa de 14,190%, ante 13,375% no fechamento de terça-feira (15).

O registro do vencimento de janeiro de 2036 contém uma inconsistência: a movimentação é descrita como queda de quase 19 pontos-base, mas os valores apresentados indicam uma taxa final superior à anterior. Assim, a descrição de queda não corresponde às taxas informadas.

Dólar: diferença menor entre juros brasileiros e americanos pode pesar sobre o real

O dólar à vista (USDBRL) terminou a sessão de quarta-feira a R$ 5,1514, com recuo de 0,07%, em direção contrária à do DXY.

Apesar desse fechamento, Parente projeta mais um dia negativo para o real, enquanto os investidores ainda avaliam a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de elevar os juros para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano.

Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, destaca que o corte no Brasil, combinado com a alta nos Estados Unidos, reduz o diferencial de juros entre as duas economias. Segundo ele, esse movimento diminui, na margem, a atratividade do chamado carry brasileiro, associada a essa diferença de taxas, e pode pressionar o real.

Mendes ressalta que essa pressão pode ocorrer principalmente em momentos de maior aversão global ao risco, quando há procura por dólar e Treasuries.

Fed eleva juros, e mercado aposta em novo aumento até dezembro

Nos Estados Unidos, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed aumentou os juros em 25 pontos-base, para o intervalo de 3,75% a 4,00%. Foi a primeira elevação desde julho de 2023.

Na entrevista coletiva, o presidente do Fed, Kevin Warsh, adotou um tom hawkish, de firmeza diante da inflação. Ele afirmou que a inflação permanece muito alta há bastante tempo e que os índices do verão não indicavam melhora significativa nas tendências subjacentes.

Depois das declarações de Warsh, o mercado consolidou a aposta em outra alta dos juros até dezembro. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava probabilidade de 50,9% de elevação na reunião de outubro, contra 49% de manutenção da faixa de 3,75% a 4,00% ao ano.

Para a reunião seguinte, em dezembro, a expectativa majoritária também era de alta: a probabilidade indicada de pelo menos um ajuste de 25 pontos-base chegava a 87,7%.

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