
A redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano recebeu críticas de representantes da indústria e dos trabalhadores, que avaliaram o corte como tímido e insuficiente para aliviar a situação financeira de empresas e famílias. A decisão foi anunciada na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).
O recuo de 0,25 ponto percentual foi o quinto consecutivo da taxa básica de juros da economia. Embora reconheçam a importância da redução, as entidades defendem sua continuidade e apontam dificuldades relacionadas ao custo do crédito, aos investimentos e à geração de empregos.
Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a queda representa um avanço importante, mas sua dimensão ainda é insuficiente diante do nível elevado dos juros brasileiros.
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, destacou que a Selic afeta diretamente o custo dos empréstimos e financiamentos. Na avaliação dela, a redução abre espaço para crédito mais barato, mesmo que esse movimento demore a chegar ao consumidor.
Neiva considera que a desaceleração dos preços e da atividade econômica oferece condições para novos cortes. Ela defendeu que a discussão não se limite aos indicadores do mercado financeiro: juros menores, em sua avaliação, favorecem o crédito, os investimentos e a criação de empregos, além de reduzir os custos financeiros de famílias, empresas e do orçamento público.
A Força Sindical também julgou o corte de 0,25 ponto percentual muito tímido e o classificou como um “balde de água fria” para a economia no quarto trimestre, que compreende outubro, novembro e dezembro. Para a central, o BC perdeu a oportunidade de fazer uma redução drástica dos juros, estimular o setor produtivo e impulsionar ainda mais a economia.
A entidade acusa a política do Banco Central de concentrar renda nas mãos de banqueiros e especuladores, ao manter juros que considera proibitivos para a produção e a geração de empregos. A Força Sindical também atribui aos juros altos a redução da capacidade de consumo das famílias, o enfraquecimento da confiança empresarial e o desestímulo aos investimentos, com prejuízos ao crescimento econômico e à distribuição de renda.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou, em nota divulgada após a decisão, que o Copom demonstra prudência excessiva diante da queda da inflação corrente nos últimos meses.

Como argumento, a confederação citou a inflação acumulada de 4,22% em 12 meses até agosto e a melhora das expectativas de mercado. Segundo a CNI, esses elementos apontam para uma desaceleração consistente e uma convergência gradual à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária.
A entidade avalia que a política monetária continua austera mesmo depois do corte. Pelos números apresentados pela CNI, com a Selic em 13,75% ao ano, o juro real está próximo de 9% — aproximadamente quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central, de 5% ao ano.
O presidente da confederação, Ricardo Alban, defendeu a continuidade das reduções. Para ele, prolongar a permanência da taxa básica em nível tão restritivo impõe à economia um custo superior ao necessário para preservar a estabilidade dos preços. Alban considera possível avançar nos cortes sem comprometer a convergência da inflação à meta.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) recebeu positivamente a redução, mas ressaltou que o movimento precisa prosseguir. A entidade avalia que o patamar ainda elevado da Selic mantém dificuldades para o setor produtivo e limita uma recuperação mais consistente do crédito e dos investimentos.
Eduardo Almeida, presidente da CBIC, classificou a taxa brasileira como uma das mais altas do mundo. Segundo ele, esse nível evidencia o desafio dos empresários do país, especialmente na construção, cuja atividade depende de financiamento e tem um ciclo produtivo longo.
Almeida lembrou que os juros estão em dois dígitos desde o início de 2022 e destacou a necessidade de crédito e previsibilidade para projetos de longo prazo. O presidente da CBIC defendeu um ambiente macroeconômico estável que permita sustentar a continuidade da redução dos juros e estimular novos investimentos.
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