
A Operação Perfume de Mulher, deflagrada na terça-feira, 22 de setembro de 2026, investiga um grupo suspeito de importar perfumes sem o devido recolhimento de impostos. A 3ª Vara Federal de Campo Grande autorizou a apreensão de bens dos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo criptoativos, e determinou a prisão da mulher apontada como coordenadora das atividades. Ela foi presa no mesmo dia.
A ação reúne a Receita Federal do Brasil (RFB), o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS). Por determinação judicial, estavam sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, estados onde o grupo atuava.
Os investigados devem responder por descaminho, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As autoridades identificaram rastros de movimentações com criptomoedas relacionadas à compra de perfumes de fornecedores no exterior.
Há uma diferença entre o valor anunciado no título da notícia e o alcance descrito na nota das autoridades: enquanto o título apresenta um bloqueio de R$ 100 milhões em criptomoedas, a nota informa autorização para apreender bens vinculados aos investigados até esse limite, incluindo criptoativos. Portanto, a determinação relatada na nota não restringe o montante às moedas digitais nem informa que R$ 100 milhões já tenham sido apreendidos.
A Receita Federal também relatou mais de 20 apreensões relacionadas ao esquema. Entre elas está uma ação de outubro de 2025, na qual foram retidos aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.
Segundo a descrição das atividades investigadas, os perfumes, em sua maioria árabes, entravam no Brasil pela fronteira de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Depois, eram encaminhados a depósitos clandestinos em Campo Grande e em outras localidades.
As vendas ocorriam principalmente por redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico. O grupo se apresentava como a maior referência em perfumaria árabe do Brasil. A participação de influenciadores na promoção das vendas também passou a ser investigada.
Além das movimentações com criptomoedas, as autoridades apontaram o uso de laranjas, empresas de fachada e notas fiscais falsas para tentar conferir aparência de legalidade ao negócio.
O detalhamento das equipes registra 50 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal, 50 integrantes do MPF e 30 do MPMS. Esses números somam 130 participantes, embora a apresentação da operação informe a presença de mais de 130 servidores públicos das forças de investigação.
As autoridades classificaram a iniciativa como pioneira no MPMS e afirmaram que foi a primeira operação com participação simultânea do Gaeco do MPF, do Gaeco do MPMS e da Receita Federal.
A investigação terá continuidade com a análise das novas evidências coletadas, buscando responsabilizar os principais envolvidos no esquema.
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