Bitwise: instituições entrevistadas mantêm Bitcoin com foco no longo prazo

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoCriptomoedas9 horas atrás8 Visualizações

A Bitwise divulgou na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, seu primeiro relatório sobre adoção institucional de criptomoedas, baseado em entrevistas com 15 grandes instituições. O levantamento aponta que esses investidores mantêm uma perspectiva de longo prazo para o Bitcoin: a queda de 50% entre outubro de 2025 e abril de 2026 não os levou a vender suas moedas e, segundo a gestora, vários ampliaram as compras.

O documento, de 12 páginas, identifica o Bitcoin como um ponto de consenso entre os entrevistados que possuem criptomoedas. A mesma convicção não se estende a Ethereum, Solana e outros ativos digitais. Na avaliação da Bitwise, o público e o mercado podem estar subestimando tanto a velocidade quanto a permanência dessa adoção institucional.

Bitcoin concentra a convicção de longo prazo

Todos os participantes do levantamento que detêm criptomoedas possuem Bitcoin. Para quase todas essas instituições, ele também foi o primeiro criptoativo adquirido, representa a maior posição em cripto e é o ativo digital mantido há mais tempo. A Bitwise afirma que ele é o único a reunir uma convicção consistente entre os investidores institucionais consultados.

Um dos entrevistados projetou que o valor de mercado do Bitcoin poderia alcançar US$ 20 trilhões em um horizonte de 5 a 15 anos. A expectativa foi apresentada como uma valorização de 11,7 vezes em relação ao preço considerado naquele momento. Trata-se da previsão desse participante, e não de um resultado confirmado.

Quanto as instituições destinam às criptomoedas

A Bitwise informa uma faixa geral de exposição às criptomoedas entre 0,5% e 13% dos ativos totais. A gestora considera essas participações pequenas, mas avalia que seriam suficientes para trazer resultados relevantes caso os criptoativos realizem todo o seu potencial, sem atingir um tamanho que comprometa o conjunto dos investimentos.

O detalhamento por categoria também registra participação de 0% entre organizações sem fins lucrativos no grupo de multi-family offices e consultorias. Para empresas de capital aberto, a base informada é o caixa excedente, e não os ativos totais. Os números apresentados são:

  • Fundos patrimoniais e fundações: instituições com US$ 0,5 bilhão a US$ 75 bilhões e exposição de 0,5% a 10%. A maioria mantém entre 0,5% e 2%, enquanto um caso excepcional alcançou 10%.
  • Fundos soberanos: instituições com US$ 1 bilhão a US$ 100 bilhões e participação em cripto de 1,0% a 1,5%.
  • Fundos de pensão públicos: instituições com US$ 1 bilhão a US$ 10 bilhões e exposição de 1,5% a 4,5%.
  • Multi-family offices e consultorias de investimentos: instituições com US$ 1 bilhão a US$ 50 bilhões e participações que vão de 0%, entre organizações sem fins lucrativos, a 13%.
  • Empresas de capital aberto: destinação de 1% a 10% do caixa excedente. A faixa de tamanho institucional consta como não aplicável.

Ethereum e Solana têm condições de saída mais definidas

Enquanto o Bitcoin aparece associado a uma convicção duradoura, Ethereum e Solana são tratados como apostas de prazo mais curto e com critérios explícitos para uma eventual venda. Várias instituições consultadas não possuem esses ativos, por razões diferentes.

Uma delas relatou ter utilizado amplamente aplicações DeFi para empréstimos, negociação, stablecoins e staking. Apesar dessa experiência, não identificou um mecanismo claro que fizesse o uso das aplicações se traduzir em valor para o token da rede. Na interpretação dessa instituição, os usuários não demonstram preferência pela blockchain utilizada e são indiferentes a uma aplicação funcionar no Ethereum ou na Solana.

Outra declaração veio de uma instituição que mantém criptomoedas há uma década. Ela afirmou que poderia vender Ethereum e Solana se ficasse demonstrado que nem a adoção em atividades reais produziria valorização desses ativos. O participante condicionou a continuidade dos investimentos à obtenção de resultados e disse que sairia das posições caso as teses não funcionassem.

Comparação com ouro divide investidores; fundos soberanos estudam alocações

A Bitwise relata que muitas instituições já colocam o Bitcoin ao lado do ouro em suas decisões de investimento. Um dos participantes levantou a possibilidade de, em dez anos, ter abandonado o metal e concentrado essa exposição em Bitcoin.

Essa hipótese não é compartilhada por todos. Outros entrevistados divergem dessa visão, e um deles rejeita até mesmo a caracterização do Bitcoin como ouro digital.

O risco de perder dinheiro permanece uma preocupação para fundações, fundos de pensão públicos e fundos soberanos, segundo a gestora. A Bitwise avalia, porém, que esse receio vem diminuindo com o amadurecimento do mercado.

Entre os fundos soberanos entrevistados, vários estavam realizando análises e avaliações para possíveis alocações significativas em criptomoedas. Alguns já haviam investido, enquanto outros ainda se encontravam no início das pesquisas. A Bitwise descreveu uma postura construtiva em relação aos criptoativos entre esses fundos, independentemente da etapa em que estavam.

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