
David Vélez, fundador e CEO do Nubank, aconselhou empreendedores a concentrar esforços na construção de uma empresa sólida, em vez de perseguir uma avaliação bilionária. Em entrevista ao InvestNews durante a B55 Conference, o executivo afirmou que o valuation — o valor atribuído à empresa — e o volume de capital captado são consequências desse trabalho, mas não garantem sucesso no longo prazo.
Na avaliação de Vélez, a atenção excessiva a esses números pode afastar o empreendedor do desenvolvimento da organização e de seus profissionais. “Esse número é um subproduto de fazer as coisas bem, de construir a organização, de construir o talento”, afirmou.
O fundador do Nubank defendeu que o objetivo de empreender não fique restrito a atingir um valor elevado ou tornar o negócio um unicórnio, nome dado a empresas avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais. Para ele, o sucesso se constrói durante uma trajetória que reúne tanto avanços quanto dificuldades.
“Se você empreende pela jornada, pelo fato de que vai se desafiar, vai trabalhar com gente incrível, vai tentar fazer coisas difíceis, então não vai haver uma oportunidade de ficar desapontado no final”, disse.
Vélez também alertou para a frustração que pode surgir quando o resultado final é a única medida de sucesso. “90% das startups não dão certo”, afirmou. Em seu conselho, aproveitar o processo e aprender com os desafios ajuda o empreendedor a lidar com a possibilidade de o negócio não atingir o resultado esperado.
Ao abordar cultura e crescimento, Vélez destacou que os valores de uma empresa começam a tomar forma nos primeiros quatro a seis meses, com os primeiros 10 a 15 funcionários. Segundo ele, esse período é decisivo: uma cultura bem definida contribui para atrair pessoas e, a partir delas, desenvolver bons produtos e conquistar clientes.
Registrar os princípios da organização, porém, é apenas uma etapa inicial. Para o executivo, eles precisam aparecer nas decisões, sobretudo quando respeitá-los é inconveniente. “A cultura é realmente válida e importante quando as ações estão consistentes com esses valores”, afirmou.

No Nubank, Vélez disse que o valor número um é fazer com que os clientes “nos amem fanaticamente”. Segundo ele, esse compromisso deve orientar a contratação de profissionais, o desenvolvimento de produtos e a comunicação da companhia.
O CEO também defendeu o uso da cultura como critério para contratar e avaliar o desempenho das pessoas. Ele afirmou que faz questão de participar do onboarding, o processo de integração dos novos funcionários, para apresentar os valores do Nubank. Quando alguém não atua de acordo com esses princípios, acrescentou, pode ser necessário que deixe a empresa.
A B55 Conference foi a primeira grande conferência do Instituto B55, organização sem fins lucrativos lançada em 2026 por David Vélez, do Nubank, Guilherme Benchimol, da XP, André Street, da Stone, e Cristhiano Faé, da Accera.
Segundo os fundadores, o instituto busca aproximar seus membros de mentores, especialistas e outros fundadores que possam ajudá-los a reconhecer problemas, encontrar caminhos e resolver desafios concretos.
Na conversa, Vélez também ressaltou a importância de escolher bem quem financia o negócio. Embora captar dezenas de milhões de dólares ou alcançar uma avaliação elevada possa ser motivo de comemoração, esses marcos não demonstram necessariamente, em sua visão, que a empresa está sendo construída para durar. Seu conselho é observar a qualidade dos investidores e escolher aqueles que poderão acompanhar o empreendedor ao longo da jornada.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.






