
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) mantém sob custódia R$ 47 milhões em criptomoedas provenientes de operações policiais contra crimes cibernéticos realizadas desde 2024. O saldo foi confirmado pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, na terça-feira, 22 de setembro, e divulgado no Diário Oficial do órgão na quarta-feira, 30 de setembro de 2026.
Segundo Costa, o controle dos valores é mantido por meio de senhas armazenadas com segurança. O montante corresponde a ativos apreendidos nas ações policiais, sob controle da instituição.
A confirmação ocorreu na 32ª reunião do Conselho Superior, presidida por Costa e realizada com participação presencial e virtual de outros promotores estaduais paulistas. O encontro tratou de estratégias operacionais para combater infrações envolvendo criptoativos e da necessidade de ferramentas mais ágeis para o trabalho cotidiano. A pauta também incluiu a leitura de atas e a atualização das atividades institucionais.
Para atuar em investigações mais complexas, os promotores receberam treinamento voltado à análise de rastros financeiros. O MPSP também firmou um convênio com a Chainalysis, empresa cuja ferramenta permite mapear continuamente movimentações e converter com agilidade diferentes criptomoedas conhecidas.
O sistema estruturado auxilia os investigadores a preservar a cadeia de custódia das provas. Essa preservação evita a anulação de provas nos tribunais criminais estaduais e faz parte dos cuidados necessários na condução dos casos.
A manutenção do acesso aos fundos apreendidos exige acompanhamento técnico contínuo dos agentes responsáveis. As senhas ficam armazenadas na estrutura física e virtual do próprio MPSP. Após o cumprimento dos mandados judiciais, os suspeitos deixam de ter acesso ao capital ilícito.
As autoridades paulistas ampliaram o bloqueio de bens irregulares nos últimos dois anos, período em que o confisco de bitcoin passou a fazer parte da rotina das varas criminais em todo o estado.
Entre as práticas combatidas está a tentativa de grupos organizados de esconder capital sem origem por meio da compra de criptomoedas em plataformas estrangeiras. O bloqueio rápido desses saldos impede a saída do dinheiro e enfraquece as organizações atingidas pelas operações.
O volume mantido sob custódia expressa a adaptação da atuação estadual aos crimes envolvendo ativos digitais. A colaboração com empresas de tecnologia também acelera a identificação de esquemas de lavagem de dinheiro.
Em um bloqueio preventivo de carteira digital determinado pela Justiça, os promotores passam a controlar as chaves que permitem acessar os recursos. Esse controle permanece até o encerramento do julgamento.
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