
A segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, ampliou a expectativa da Petrobras de abrir uma nova fronteira exploratória no Brasil. A avaliação foi apresentada pela presidente da companhia, Magda Chambriard, na sexta-feira, 2 de outubro de 2026, com uma ressalva: ainda não há garantia de que a descoberta tenha valor comercial.
Magda afirmou que existe otimismo sobre a possibilidade de a região ajudar a reduzir o déficit de produção de petróleo no país. “Ainda não podemos garantir, mas tudo indica que estamos realmente abrindo uma nova fronteira exploratória. Existe o otimismo de que essa fronteira ajude a mitigar o déficit de produção no Brasil. Não sabemos se vamos ter uma descoberta com valor comercial, mas tudo indica que sim”, declarou.
Identificado como 1-BRSA-1405-APS, o Morpho está a 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas. A lâmina d’água — a profundidade do mar no ponto da operação — é de 2.886 metros.
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode alcançar 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Essa medida reúne os volumes de petróleo e gás natural. A estimativa se refere à bacia, enquanto o volume das jazidas e a comercialidade no bloco explorado ainda serão avaliados.
Na avaliação de Magda, as etapas realizadas até agora têm confirmado os resultados anteriores e aumentado o valor das áreas exploratórias para a Petrobras. Ela também afirmou que as novas notícias sobre a exploração estão tornando o Amapá mais valioso.
Durante a coletiva de imprensa, a presidente mostrou uma amostra do petróleo retirado do Morpho. Ao responder sobre a qualidade, classificou o óleo como “maravilhoso” e disse que ele apresenta baixa viscosidade.
O grau API exato, indicador que mede a leveza e a densidade do petróleo, permanece sob sigilo regulatório, assim como outros detalhes técnicos. No mercado de refino, o óleo tem maior valor comercial quanto maior for sua leveza e menor sua densidade.
A autorização para a Petrobras perfurar áreas na Foz do Amazonas foi concedida em outubro de 2025 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Uma ação protocolada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) pede a suspensão imediata de qualquer perfuração ou teste no bloco marítimo FZA-M-59.
O MPF sustenta que acontecimentos recentes demonstram a insegurança da atividade na região. Entre os episódios citados está o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar durante a operação de uma sonda, em janeiro de 2026.
Os procuradores também apontam a ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas e às comunidades quilombolas e de pescadores artesanais do Amapá e do Pará. Esse direito é garantido pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Os testes e as manobras no Morpho devem prosseguir até o fim de outubro de 2026. Depois, a sonda será desmobilizada e encaminhada ao Rio Grande do Norte, onde está prevista, para novembro, a perfuração do prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar.
Para o bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, o planejamento prevê uma nova mobilização de sonda no primeiro trimestre de 2027. A etapa inclui a perfuração de três poços de delimitação, destinados a avaliar o volume das jazidas e definir sua comercialidade.
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