
Uma auditoria do governo do estado do Rio de Janeiro apontou indícios de desvios de mais de R$ 400 milhões na Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae (Cedae Saúde). Entre os achados estão possíveis irregularidades em pagamentos por serviços e suspeitas de favorecimento de empresas vinculadas à antiga direção.
Criada em 1988, a Cedae Saúde administra a assistência de saúde de 17 mil beneficiários, entre funcionários ativos, dependentes, aposentados e pensionistas. O levantamento também identificou repasses para o custeio da entidade que, na avaliação da gestão atual, estavam muito acima do necessário.
Na antiga gestão da Cedae, a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores era responsável pelas transferências mensais destinadas ao funcionamento da Cedae Saúde. Esses repasses tinham valor médio de R$ 20 milhões por mês.
Sob a gestão atual, o valor mensal gira em torno de R$ 6 milhões, uma redução de 70%. A avaliação de que o custeio anterior excedia as necessidades da entidade foi feita pela nova administração.
A auditoria teve início depois da exoneração de Eric Frederik Gualberto, então presidente da Cedae Saúde, em junho de 2026. Ao assumir a entidade, a nova diretoria constatou que haviam sido apagados arquivos com nomes de fornecedores e registros contábeis referentes ao período de dezembro de 2023 a abril de 2026.
Os auditores conseguiram recuperar esses dados. A análise dos registros apontou indícios de favorecimento de empresas ligadas à administração anterior.
A investigação identificou que quatro empresas integrantes de uma offshore ligada a Eric nas Ilhas Virgens Britânicas receberam R$ 95 milhões durante sua gestão na Cedae Saúde.
O relatório será enviado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para aprofundar a apuração dos fatos e permitir a adoção de medidas judiciais.
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