
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou no domingo (25 de outubro), no discurso de vitória para o quarto mandato presidencial, que trabalhará com o Congresso Nacional escolhido pelos eleitores para aprovar propostas. Também reiterou a posição apresentada na Organização das Nações Unidas (ONU) de que o Brasil não aceitará ser quintal de ninguém.
As declarações foram recados à direita e à extrema-direita, vencedoras nas eleições legislativas realizadas 20 dias antes, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.
Ao reconhecer a divisão do país, Lula disse que governará para 215 milhões de brasileiros, de todas as idades, classes e religiões. “Fui eleito para governar para todos. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e com ele vou trabalhar para aprovar as coisas”, declarou.
Lula recebeu 51,79% dos votos válidos no segundo turno, equivalentes a 64,26 milhões de votos. Flávio Bolsonaro obteve 48,21%, ou 59,83 milhões.
No primeiro turno, a ordem havia sido inversa: Flávio liderou com 47,03% dos votos válidos, somando 56,1 milhões, enquanto Lula ficou com 45,16%, ou 53,9 milhões.
A desvantagem de 2,2 milhões de votos de Lula na primeira votação se transformou em uma vantagem de 4,4 milhões na segunda. A mudança na diferença entre os candidatos foi de 6,6 milhões de votos em 20 dias. Foi a primeira virada entre o primeiro e o segundo turnos em dez eleições presidenciais do período democrático, desde 1989.
Na abertura do discurso, Lula agradeceu aos brasileiros que compareceram às urnas. A eleição registrou as menores taxas de abstenção, de 19,22%, e de votos nulos e brancos, de 3,24%, nas disputas presidenciais.
“Tenho que agradecer aos que coordenaram a campanha, ao povo brasileiro e à generosidade da juventude brasileira que foram para as ruas e às pessoas idosas. Conseguimos convencê-las que o voto é importante para a democracia”, afirmou.
Lula criticou o que chamou de “intromissão que veio de fora para dentro” por meio das plataformas digitais e prometeu regulá-las. “O crime do mundo digital tem de ser tratado como o crime da vida real”, disse.
O presidente reeleito classificou o resultado como uma “derrota do negacionismo e da mentira”. Sem mencionar o nome do adversário, declarou: “Nunca pensei em me deparar com representante do milicianismo desse País, que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez como se não tivesse uma célula de humanismo”.
Um dos principais nomes da reação no segundo turno, o deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) recebeu elogios durante vários minutos. Ele criou o “Exército do Lula”, com quase 11 milhões de seguidores no WhatsApp.
“Janones, nosso general, teve papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente a moral dessa nossa tropa”, afirmou Lula. O presidente reconheceu falhas na comunicação digital, área que vinha sendo um trunfo do bolsonarismo.
Para o novo mandato, prometeu ampliar tanto a participação popular nas decisões quanto o espaço dos canais digitais no governo. “Vamos mudar o jeito de governar esse país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões e a comunicação digital vai ganhar espaço no nosso governo”, declarou.
Ao falar sobre sua eleição, Lula atribuiu a vitória também à fé: disse ter sido escolhido por Deus e afirmou acreditar que tem “dedo de Deus” em sua cabeça. Associou ainda a disputa à honradez, ao nacionalismo, à democracia e ao futuro.
O presidente, que completa 81 anos na quarta-feira (27), prometeu realizar o melhor mandato já feito por um presidente. Disse buscar um “país que as pessoas saibam que vão dormir e acordar com tranquilidade e para devolver às mulheres a tranquilidade e a paz que precisam”.
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