
A reação dos investidores à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a recomendação de venda das ações do Banco do Brasil (BBAS3) pelo Citi estiveram entre os assuntos de maior repercussão na semana. O período também reuniu novas projeções de inflação e juros, o debate sobre ajustes nos gastos públicos e a aprovação, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de uma alíquota de 11,3% para a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS).
Os acontecimentos têm marcos distintos: enquanto a revisão do Citi ocorreu após o resultado eleitoral, as estimativas do Relatório Focus divulgado em 26 de outubro ainda não incorporavam a reação à votação de domingo (25).
Na segunda-feira (26), o mercado reagia à vitória de Lula na eleição de 2026, que assegurou ao presidente um quarto mandato. Os investidores locais apostavam com bastante otimismo na vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A frustração dessa expectativa se refletiu em uma queda de quase 30% do EWZ, o ETF brasileiro negociado em Nova York. Também houve recuo dos ADRs, recibos de ações de empresas brasileiras negociados no exterior.
O ajuste ligado ao resultado das urnas predominou naquele dia, deixando o cenário externo e os indicadores em segundo plano.
Após a eleição, o Citi revisou sua cobertura dos bancos e rebaixou a recomendação para as ações do Banco do Brasil para venda. Os analistas também reduziram o preço-alvo de R$ 22,40 para R$ 15.
Na avaliação do banco, esse preço-alvo representava um potencial de queda de cerca de 20% em relação ao fechamento usado como referência. Trata-se de uma perspectiva dos analistas, e não de uma perda já registrada.
A referência temporal desse cálculo é apresentada como o fechamento de “segunda-feira (27)”, enquanto a reação inicial do mercado à eleição é situada na segunda-feira (26). Há, portanto, uma divergência entre as duas indicações de data.
O Citi atribuiu a avaliação negativa às preocupações crescentes com a qualidade dos ativos do Banco do Brasil, especialmente no agronegócio, e à maior exposição a riscos políticos e regulatórios.
O Relatório Focus divulgado pelo Banco Central (BC) na segunda-feira (26) mostrou redução das expectativas dos economistas para a inflação de 2026 e cortes nas projeções para a Selic.
A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador da inflação oficial, passou de 5,22% para 5,19% em 2026. Apesar da redução, a projeção continuou acima de 5%, patamar apontado como motivo de atenção para o mercado.
Para 2027, o movimento foi contrário: a mediana das estimativas de inflação subiu de 4,32% para 4,34%, na segunda alta consecutiva.
A pesquisa é encerrada na sexta-feira anterior à divulgação. Por isso, esses números não capturaram o movimento desencadeado pelo resultado eleitoral de domingo (25). Reflexos mais concretos nas projeções dos economistas poderiam aparecer na divulgação seguinte.
Após a reeleição de Lula, a economista Zeina Latif avaliou que o ajuste fiscal brasileiro não depende necessariamente de cortes generalizados de despesas, mas de medidas que diminuam o ritmo de crescimento dos gastos públicos.
“Não existe cortar gastos no Brasil”, afirmou a economista, que defendeu ajustes no abono salarial e no BPC.
Na avaliação de Zeina, a rigidez do orçamento e a resistência política a mudanças amplas tornam mais viável uma estratégia gradual, com revisões em diferentes políticas públicas.
Na quarta-feira (28), o plenário do TCU aprovou por unanimidade uma alíquota de 11,3% para a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS). O percentual ficou acima do que havia sido estimado pelo governo.
A aprovação ocorreu após o envio dos cálculos pelo governo. A CBS passará a vigorar em 2027, com a entrada em vigor da reforma tributária sobre o consumo.
O resultado da análise do TCU será encaminhado ao Senado, responsável pela deliberação final sobre a alíquota.
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