
O Mercado Bitcoin, uma das maiores corretoras de criptomoedas do Brasil, suspendeu depósitos e saques após identificar um ataque hacker na madrugada de segunda-feira, 2 de novembro de 2026. O aplicativo também ficou fora do ar. A empresa afirmou que não houve prejuízo aos clientes nem vazamento de dados, mas não informou prazo para a retomada dos saques.
Em comunicado no X, a corretora declarou que “identificou e conteve com rapidez” o problema em um de seus sistemas. A interrupção das movimentações foi apresentada como uma medida temporária e preventiva de proteção.
O episódio ocorreu três dias depois de um roubo de grande dimensão à Binance. No caso do Mercado Bitcoin, a empresa não confirmou se houve roubo, e tanto a origem do incidente quanto a extensão de eventuais perdas permaneciam sob investigação.
Um levantamento preliminar da empresa de segurança Hypernative identificou movimentações suspeitas em carteiras atribuídas ao Mercado Bitcoin que podem ultrapassar US$ 40 milhões. Esse valor não representa uma perda confirmada pela corretora.
A Tether, emissora do USDT, uma stablecoin lastreada em dólar, anunciou o congelamento de mais de 4,5 milhões de unidades da moeda ligadas ao caso. A informação foi divulgada no X pelo CEO da companhia, Paolo Ardoino.
Para o cliente, um dos riscos é a indisponibilidade do próprio dinheiro. Mesmo quando a plataforma afirma que os saldos estão preservados, o acesso depende da proteção dos recursos pela empresa e da retomada das operações.
Leonardo Maximiliano, CEO da DominiPay, explica que a concentração de ativos e acessos torna as corretoras alvos de alto valor para criminosos. Segundo ele, senhas fortes e autenticação em dois fatores ajudam na proteção, “mas não resolvem uma falha na infraestrutura de custódia da plataforma”.
O executivo aponta a autocustódia por meio de carteiras físicas, também chamadas de hard wallets, como alternativa. Nesse modelo, o próprio usuário precisa manter a frase de recuperação em segurança, “sem fotos ou cópias na nuvem”.

A alternativa também envolve riscos. Maximiliano ressalta que “autocustódia exige responsabilidade”: perder ou entregar as chaves pode significar a perda dos ativos. Além disso, uma carteira de hardware não impede que o usuário autorize uma operação maliciosa.
Os comentários dos especialistas em segurança tratam de riscos gerais e não estabelecem o que ocorreu no Mercado Bitcoin. Maximiliano considera precipitado atribuir uma causa ao episódio antes da conclusão de uma investigação técnica.
Entre os pontos que ele cita para investigação estão senhas expostas e falhas nos processos de autorização de transferências. “São hipóteses, não conclusões sobre o caso”, ressalva.
Caio Mattos, CEO da NearX, descreve situações em que ataques começam pelo contato com pessoas: um funcionário pode clicar em um link malicioso, um computador pode ser infectado ou um criminoso pode se apresentar como candidato a uma vaga, ser contratado e se infiltrar na empresa.
O uso de inteligência artificial por hackers agrava esse cenário, ao permitir a busca mais rápida por falhas e a automação de ataques. Esses mecanismos, porém, não foram apontados como a causa do incidente na corretora.
O Mercado Bitcoin informou que sua equipe está “investigando o caso, rastreando os ativos e coordenando as medidas junto às autoridades competentes”. Não foi divulgado prazo para a volta dos saques.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.






