
O dólar comercial encerrou a terça-feira (3 de novembro) em alta de 0,74%, a R$ 5,486, enquanto o Ibovespa caiu 1,42%, para 165.528,92 pontos, conforme dados preliminares. As dúvidas sobre as contas públicas e a expectativa pela decisão sobre a Selic, prevista para quarta-feira (4), marcaram as negociações.
Foi a sexta sessão consecutiva de perdas da bolsa brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o índice atingiu seu menor nível desde janeiro. O primeiro pregão de novembro ocorreu depois do feriado de Finados e de uma semana de forte desvalorização dos ativos nacionais.
Embora tenha encerrado abaixo de R$ 5,50, a moeda norte-americana ultrapassou esse valor durante o dia. A máxima foi de R$ 5,509, por volta das 13h50, em meio à cautela com os rumos da política econômica brasileira.
O real vem sofrendo pressão no mercado de câmbio desde a reeleição de Lula, em 25 de outubro. Além das incertezas sobre a condução das contas públicas e a agenda econômica do governo, as negociações refletiram a repercussão das propostas do economista André Lara Resende para mudanças no regime monetário.
Na manhã de terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que essas propostas têm deficiências e não estão sendo discutidas pelo governo. O ministro também defendeu que o ajuste fiscal seja feito de forma gradual.
No ambiente internacional, as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos e a valorização do dólar diante de outras moedas também influenciaram o mercado. Às 17h35, o DXY, índice que acompanha o desempenho da moeda norte-americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,13%, para 101,850 pontos.
A bolsa chegou à mínima de 164.446,53 pontos às 11h23, antes de recuperar parte das perdas e fechar em 165.528,92 pontos. A sequência de seis baixas considera as sessões realizadas após o resultado eleitoral. No último pregão anterior à definição das urnas, o Ibovespa estava acima de 205 mil pontos.

Petrobras e Vale, cujas ações foram as mais negociadas, contribuíram para a pressão sobre o índice. A sessão foi marcada por ajustes nos preços internacionais do petróleo e de outras commodities — bens primários com cotação internacional — depois do feriado.
O comportamento da bolsa brasileira contrastou com a recuperação apresentada pelas ações de empresas de tecnologia dos Estados Unidos durante a sessão. No Brasil, as incertezas domésticas mantiveram os ativos pressionados.
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) é o próximo foco dos investidores. Com a Selic em 13,75% ao ano, o mercado acompanha a possibilidade de manutenção da taxa nesse nível, diante da piora das expectativas de inflação e da desvalorização do real.
O boletim Focus divulgado na terça-feira mostrou aumento da projeção de inflação para 2027, de 4,34% para 4,76%. A nova estimativa ficou acima do teto da meta, de 4,5%. A previsão para a Selic no fim de 2027 também avançou, passando de 11,75% para 12,50% ao ano.
A decisão do Banco Central, prevista para quarta-feira (4), e o comunicado com as indicações sobre os próximos passos da política monetária devem influenciar o comportamento dos ativos brasileiros nos pregões seguintes.
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