
Manifestantes foram às ruas em mais de sete cidades da Europa no sábado, 7 de novembro, para contestar a expansão de data centers e seus impactos ambientais e sociais. A mobilização pede a suspensão de novas obras e reúne preocupações com o uso do solo, o aumento do consumo de eletricidade, o encarecimento das tarifas de energia e a falta de benefícios econômicos concretos para as comunidades.
Os protestos acompanham uma aceleração global da construção dessas instalações nos últimos meses. Gigantes da tecnologia estão destinando centenas de bilhões de dólares à infraestrutura necessária para treinar e operar modelos de inteligência artificial (IA).
Na Irlanda, cerca de 2 mil pessoas participaram da marcha em Dublin, de acordo com a emissora pública RTE. Na Finlândia, aproximadamente 1,3 mil manifestantes se concentraram no centro de Helsinque. A emissora estatal YLE também registrou atos em municípios menores do interior finlandês.
A Irlanda se consolidou como um dos principais destinos europeus de data centers ao receber grandes investimentos de empresas norte-americanas como Microsoft, Amazon e Google, controlada pela Alphabet. Segundo o órgão oficial de estatísticas irlandês, essas instalações representaram 23% de todo o consumo medido de energia elétrica do país em 2025.
Na Finlândia, o volume estimado de projetos de fazendas de servidores chega a cerca de € 80 bilhões, distribuídos por diferentes etapas de planejamento e execução, conforme a Confederação das Indústrias do país.

Parte desse movimento envolve o Google. Em setembro, a companhia anunciou um pacote de € 13 bilhões, equivalente a cerca de US$ 14,5 bilhões, para ampliar um data center existente e construir outras duas unidades em território finlandês. O anúncio foi apresentado como o maior investimento da empresa na Europa em sua história.
Durante o protesto em Helsinque, os participantes marcharam em direção aos escritórios do Google e depois seguiram até o Parlamento.
A coalizão Stop Dirty Data Centres, formada por organizações comunitárias e de defesa do clima, afirma que os atos buscam conter o que considera uma expansão descontrolada dos data centers destinados à inteligência artificial. Seus representantes também disseram querer impedir que a democracia fique subordinada aos interesses das grandes empresas de tecnologia.
Movimentos civis da Escócia, Espanha, França e Dinamarca aderiram à mobilização. A reivindicação é uma moratória, isto é, uma suspensão de novas obras, até que a sociedade decida democraticamente quais estruturas são necessárias para que a IA e os data centers atendam às pessoas e ao planeta, em vez do que os grupos classificam como ganância privada.
As manifestações de sábado foram precedidas por um ato na sexta-feira, 6 de novembro, em Amsterdã, na Holanda. Centenas de ativistas entraram em confronto com policiais diante de um data center da Microsoft, e uma pessoa foi presa.

A resistência europeia ocorre em meio a um descontentamento também crescente nos Estados Unidos. A proliferação dessas instalações esteve entre os temas decisivos das eleições de meio de mandato realizadas naquela semana. Em diversos estados norte-americanos, candidatos locais que se comprometeram a impedir ou congelar novas licenças de construção venceram as disputas.
A insatisfação na Finlândia se intensificou após revelações de que representantes ligados ao Google desmataram áreas florestais, retiraram a cobertura vegetal e abriram estradas em um dos terrenos antes de o relatório de impacto ambiental ser concluído.
A empresa encarregada de executar a obra é alvo de um inquérito criminal. Paralelamente, o governo finlandês discute projetos de lei para limitar a expansão das estruturas de inteligência artificial.
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