Fim da isenção de US$ 800 imposta por Trump paralisa remessas aos EUA em diversos países

Mercado Financeiro14 horas atrás7 pontos de vista

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A entrada em vigor, à meia-noite de sexta-feira (29), da ordem executiva do presidente Donald Trump que retira a isenção de impostos para importações de até US$ 800 provocou a suspensão do envio de cartas e pacotes aos Estados Unidos por serviços postais de vários países.

A medida, destinada a fechar a brecha explorada por varejistas chineses como Shein e Temu, pegou consumidores e pequenos empresários de surpresa e deixou correspondências retidas em postos de coleta ao redor do mundo.

Suspensões imediatas

Na Tailândia, o Thailand Post interrompeu o serviço depois que companhias de transporte parceiras pediram tempo para se adequar às novas exigências. O aposentado Brian West, que vive em Chiang Mai, tentou despachar em 22 de agosto o formulário e o exame de visão necessários para renovar a carteira de motorista de Nova York, mas recebeu negativa do balcão postal. Se a restrição não cair nos próximos dias, ele calcula que terá de pagar cerca de US$ 50 (R$ 270) a empresas privadas como UPS ou FedEx.

No Reino Unido, o escritor Adam Christopher relatou experiência semelhante. Ao chegar à agência dos Correios em sua cidade no interior da Inglaterra, foi informado de que envios para os EUA estavam temporariamente bloqueados. Para entregar dois lotes de marcadores de livro autografados à editora Penguin Random House, ele precisará dirigir cerca de uma hora até uma unidade da UPS, com custo bem maior. Seu novo título, “Star Wars: Master of Evil”, sai em novembro.

Efeitos sobre cadeias de abastecimento

Nos Estados Unidos, a comerciante Tonya Kemp, dona de uma loja de doces em Alexandria (Virgínia), foi avisada por fornecedores da Europa e do Canadá de que pedidos estão suspensos até que entendam as novas regras alfandegárias. Por enquanto, ela ainda tem em estoque barras de chocolate Coffee Crisp, Kit Kat de caramelo salgado e avelã, biscoitos digestivos e Jelly Babies, mas teme que o aumento dos custos afaste clientes.

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Imagem: redir.folha.com.br

Impacto nas Filipinas

Nas Filipinas, onde famílias costumam despachar presentes de Natal para parentes nos EUA já em setembro, o serviço postal alertou que destinatários poderão pagar taxas entre US$ 80 e US$ 200 após o fim da isenção. O empresário Rein Gatchalian, da Kabayan Box Padala, disse que os pacotes, geralmente avaliados abaixo de US$ 800, contêm itens como queijo, molho de espaguete filipino e temperos difíceis de encontrar nos EUA.

O desenvolvedor Giovanni Castro, de Baguio, também tenta calcular o impacto. Sua loja on-line, Tinkerboy, vende adaptadores para teclados e consoles antigos por menos de US$ 50, e 90% das encomendas vão para clientes americanos. Após o anúncio de que o correio local suspenderia remessas a partir de sexta-feira, ele colocou um aviso em destaque no site para explicar a situação.

Até o momento, não há clareza sobre quantos países adotaram paralisações semelhantes nem por quanto tempo as restrições vão durar, mas as suspensões atingem principalmente quem depende dos serviços postais mais baratos ou vive em regiões afastadas, onde transportadoras privadas cobram valores mais altos.

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