Acordo UE–Mercosul deve zerar tarifas e ampliar mercado europeu para algodão do Brasil

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A indústria têxtil brasileira acompanha de perto o acordo comercial aprovado entre União Europeia e Mercosul, que prevê a eliminação gradual de tarifas sobre a maior parte dos produtos negociados entre os blocos. Para o algodão nacional — o Brasil é o terceiro maior produtor do mundo — a expectativa é de acesso facilitado ao mercado europeu.

Hoje, tecidos de algodão brasileiros entram na União Europeia com tarifa de 8%. De acordo com o executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero, a alíquota será extinta à medida que o tratado entrar em vigor, tornando o produto mais barato para importadores europeus.

Portocarrero avalia que, além do fio e do tecido, roupas prontas produzidas no país poderiam ganhar espaço nas lojas da região. O obstáculo, segundo ele, é o design: as coleções precisariam dialogar com o gosto do consumidor europeu. “O design, as tendências precisariam falar a mesma língua dos europeus”, afirma.

O Brasil tem pouca presença no varejo de moda europeu. Redes como Rinascente (Itália) e Galeries Lafayette (França) não oferecem marcas brasileiras, exceto casos pontuais, como o designer Airon Martin, da Misci, citado em 2023 pelo site Business of Fashion. Entre as grifes nacionais, apenas as Havaianas possuem reconhecimento considerável no exterior, mas atuam majoritariamente em calçados.

Hoje, peças de vestuário brasileiras — casacos, jaquetas, camisas ou shorts — pagam 12% de imposto para entrar na União Europeia. Na direção oposta, a tarifa é de 35%. O tratado estabelece que 91% das exportações do Mercosul ao bloco europeu ficarão livres de impostos em até 15 anos, enquanto a União Europeia zerará as tarifas de 92% das exportações para o Mercosul em dez anos.

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Imagem: redir.folha.com.br

Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel, os efeitos serão perceptíveis em cerca de oito anos. Ele prevê que itens estrangeiros poderão chegar ao Brasil a preços menores, tornando produtos hoje não competitivos mais acessíveis. “Produtos que hoje não são competitivos passarão a ser competitivos”, diz.

Pimentel pondera, contudo, que apenas a retirada das tarifas não garante espaço para as marcas nacionais na Europa. Segundo ele, empresários precisarão investir em vendas externas e o país deverá avançar em reformas internas para reduzir custos e elevar a produtividade.

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