Augusta (EUA), 3 de abril de 2026 – A semana do Masters, que começou nesta segunda-feira com as voltas de treino no Augusta National Golf Club, virou ponto de encontro estratégico para executivos, marcas e atletas do golfe. No centro dessa movimentação estão os agentes Sean Guerrero e Jordan Lewites, da WME Sports, que buscam novas formas de conectar patrocinadores ao esporte.
Guerrero, com mais de dez anos no mercado do golfe, define o Masters como “a semana mais mágica do ano”, quando todos os tomadores de decisão se reúnem em um mesmo local. Segundo ele, essa concentração facilita negociações e ativações inéditas que ampliam a presença de marcas no circuito.
Lewites, responsável por nomes como Jordan Spieth e a influenciadora Paige Spiranac, lembra que há “cinco grandes momentos” no calendário – os quatro majors e The Players – que funcionam como conferências da indústria. “É quando conversamos sobre novos acordos para o segundo semestre de 2026 e para 2027”, afirma.
Apesar da tradição de reuniões “sob a árvore” ao lado da casa-clube, as restrições tecnológicas de Augusta levam marcas a organizar jantares, casas de hospitalidade e demonstrações pela cidade. De acordo com Lewites, a WME Sports, em parceria com a On Location, administra mais de 500 residências corporativas na região durante a semana.
Treinadores como Cameron McCormick e Sean Foley participam de palestras diárias para grupos restritos, enquanto empresas avaliam lançamentos de produtos alinhados ao torneio, considerado a maior oportunidade de hospitalidade do esporte.
Um caso citado por Guerrero envolve John Daly. Sem vaga no Masters há anos, o carismático jogador costumava estacionar seu motor-home em um restaurante Hooters local para atender fãs. Com a demolição do imóvel, Guerrero articulou uma parceria com o Topgolf de Augusta, garantindo a Daly dois dias de interação com o público e mantendo viva a tradição.
Imagem: Scott Thompson FOXBusiness via foxbusiness.com
A empresa também impulsiona marcas de nicho, como a Swag Golf. Lewites conta que a companhia saiu de “alguns milhões de dólares” para uma previsão de US$ 50 milhões em receita compartilhada após a WME estruturar um programa de licenciamento que inclui WWE, MLB, NBA, NFL e distribuição nacional via DICK’S Sporting Goods e Golf Galaxy.
Guerrero destaca que, ao contrário de outros esportes, quem acompanha golfe costuma praticá-lo e consumir seus produtos por toda a vida. Essa característica atrai empresas de setores diversos interessadas em aproveitar a visibilidade do Masters para lançar serviços e intensificar ações de marca.
“Depois do Masters, todo mundo pega o ‘vírus’ do golfe”, diz o agente. Para ele, a combinação de tradição, público engajado e ambiente de negócios faz de Augusta o ponto de partida para tendências que devem marcar a temporada.