Analistas afirmam que América Latina fica vulnerável após invasão dos EUA na Venezuela

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A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, em 4 de janeiro de 2026, acenderam o alerta entre especialistas em relações internacionais, que veem toda a América Latina sujeita a novas ações de Washington.

O professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Williams Gonçalves, também pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre Estados Unidos (INCT-INEU), classificou a operação ordenada pelo presidente norte-americano Donald Trump como violação direta da Carta das Nações Unidas. Segundo ele, o desrespeito à soberania venezuelana deixa os demais países da região “à mercê” da vontade de Trump e dos interesses de empresas dos EUA.

Gonçalves criticou o apoio manifestado pelo presidente argentino Javier Milei e por grupos políticos em outros países. “É um convite para que Trump decida, de forma arbitrária, quando e por que invadir Brasil, Colômbia ou qualquer vizinho”, afirmou. O professor defendeu reação conjunta de governantes latino-americanos e posicionamento claro das Forças Armadas dos países da região contra novas intervenções.

Para o professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Jorge Ramalho da Rocha, Trump “não demonstra compromisso com o direito internacional”, conduzindo a política externa com base em força militar e objetivos de curto prazo. Rocha alertou que a ação atual “abre precedente” para ingerências em Colômbia, Brasil, Peru e demais nações.

O acadêmico acrescentou que a estratégia norte-americana tende a explorar divisões internas e influenciar processos eleitorais, citando Colômbia e Brasil como “principais alvos”. Ele defendeu a retomada do multilateralismo e atuação mais firme da ONU, mesmo reconhecendo limitações da organização.

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Imagem: Agência Brasil via moneytimes.com.br

Entre as consequências imediatas, Rocha mencionou a mobilização de tropas colombianas na fronteira e a expectativa de movimento semelhante pelo Brasil. “Se os Estados Unidos ocuparem militarmente a Venezuela, enfrentaremos um cenário semelhante ao Vietnã”, declarou.

Embora considere o governo venezuelano impopular e responsável por grave crise interna, Rocha reforçou que a invasão e a retirada de Maduro de seu território configuram “violação das normas internacionais” e representam ameaça de longo prazo à estabilidade regional.

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