American Airlines informou nesta quinta-feira que pretende restabelecer o serviço sem escalas entre os Estados Unidos e a Venezuela, iniciativa que marca um possível reaquecimento das conexões comerciais e turísticas entre os dois países.
A empresa, sediada no Texas, afirmou estar pronta para retomar um voo diário assim que receber a autorização dos governos envolvidos. Caso se concretize, será a primeira transportadora dos EUA a divulgar planos para reconectar Caracas a um destino norte-americano sem paradas intermediárias.
A companhia declarou que trabalha “em estreita colaboração com as autoridades federais” para obter todas as permissões necessárias e realizar avaliações de segurança antes do reinício das operações. Detalhes adicionais, como data exata de início e rotas, serão anunciados nos próximos meses.
O anúncio ocorre no mesmo dia em que o presidente Donald Trump declarou a reabertura do espaço aéreo comercial sobre a Venezuela. A medida revoga a notificação de emergência emitida no início do mês pela Administração Federal de Aviação (FAA), que proibia aeronaves civis norte-americanas de sobrevoar o país sul-americano.
Durante reunião de gabinete, Trump disse ter orientado o secretário de Transportes, Sean Duffy, e as Forças Armadas dos EUA a concluírem o processo até o fim da quinta-feira. Segundo o presidente, “cidadãos americanos poderão viajar em breve para a Venezuela com segurança”.
A American Airlines interrompeu suas operações no país em 2019, citando o agravamento da situação de segurança, preocupações com a integridade das tripulações e tensões políticas. Antes da suspensão, a companhia voava para a Venezuela desde 1987 e foi a última das grandes transportadoras norte-americanas a deixar o mercado local.
Imagem: Daniella Genovese FOXBusiness via foxbusiness.com
Para Clint Henderson, editor do site de viagens The Points Guy, ainda há vários obstáculos regulatórios, legais e de segurança a superar antes que os voos sejam retomados. Henderson destacou que sindicatos de trabalhadores também deverão avaliar as condições oferecidas às tripulações.
O especialista acredita, no entanto, que uma rota Miami–Caracas pode se tornar viável se as relações bilaterais avançarem. Ele avalia que o restabelecimento do serviço aéreo criaria oportunidades para viagens de negócios, reencontros familiares e retomada do turismo norte-americano no país.
Desde a paralisação dos voos, a infraestrutura venezuelana enfrenta desafios, o que, segundo Henderson, pode atrair investimentos estrangeiros caso o mercado de energia volte a atrair capital dos Estados Unidos.
A American Airlines reforçou que seguirá monitorando o cenário político e de segurança na Venezuela até concluir o processo de certificação para reiniciar a operação diária.