São Paulo – A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) deve apresentar, nos próximos meses, uma nova classificação para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e iniciar a elaboração de um código de autorregulação voltado à custódia de criptomoedas.
De acordo com o diretor-executivo da Anbima, José Carlos Doherty, o objetivo é tornar mais claras as estratégias adotadas pelos FIDCs, facilitando o acompanhamento do desempenho pelo investidor e aprimorando a fiscalização das carteiras. A mudança também permitirá que o público entenda com maior precisão o tipo de recebível adquirido por cada fundo e avalie melhor o risco de crédito envolvido.
O ajuste ocorre em meio à forte expansão desse mercado. Somente em janeiro, as emissões de FIDCs alcançaram R$ 7 bilhões, recorde para o mês e 98,6% acima do registrado no mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as ofertas de debêntures totalizaram R$ 26,9 bilhões, queda de 5,8% ante janeiro de 2025.
Os FIDCs não sofrem incidência de come-cotas — tributação semestral aplicada a fundos de renda fixa e multimercados — e costumam apresentar menor volatilidade, característica valorizada em períodos eleitorais e de maior instabilidade.
Especialistas apontam pontos que podem ser incluídos na nova metodologia. Alfredo Marrucho, sócio da consultoria Uqbar, sugere:
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Paralelamente, a Anbima começará a discutir um conjunto de regras básicas para empresas interessadas em atuar na guarda de ativos digitais, como Bitcoin. A falta de normas específicas é apontada como fonte de risco para investidores e fundos que desejam incluir criptomoedas em suas carteiras.
Com a autorregulação, o setor pretende aumentar a segurança tanto na custódia quanto nas transações envolvendo esses ativos.
A volatilidade voltou a marcar o segmento de moedas digitais. O Bitcoin recuou da máxima histórica de US$ 126.279,63 em 6 de outubro para a mínima de US$ 60.062,00 em 6 de fevereiro, sendo negociado atualmente a US$ 67.480,00. No Brasil, a exposição a Bitcoins em fundos ainda é limitada a gestoras especializadas e a ETFs listados em bolsa. Em 2025, durante a valorização da criptomoeda após a posse do presidente Donald Trump, alguns fundos multimercados, como o Verde, chegaram a manter posições, mas por período curto.