São Paulo, [data de publicação] – O banco cripto Anchorage Digital informou que passou a deter em seu balanço o título preferencial perpétuo STRC, emitido pela Strategy, companhia liderada por Michael Saylor e conhecida por acumular grandes quantidades de Bitcoin (BTC).
Em publicação feita nesta quarta-feira na rede social X, o cofundador e CEO da Anchorage, Nathan McCauley, afirmou que a operação demonstra “alinhamento” entre duas empresas focadas em infraestrutura e adoção corporativa de Bitcoin. O executivo não revelou o tamanho nem a data exata da posição.
Negociado na Nasdaq, o STRC é apresentado como um título de curto prazo e alto rendimento, pagando dividendo anual de 11,25% distribuído mensalmente em dinheiro. Os recursos captados com a emissão vêm financiando as sucessivas compras de Bitcoin pela Strategy.
A aquisição pela Anchorage ocorre no momento em que a Strategy aparece no topo da lista do Goldman Sachs das ações de grande capitalização dos Estados Unidos com maior volume relativo de vendas a descoberto. Há um ano, o papel não figurava sequer entre os 50 mais shorteados; a escalada começou no fim de 2025, acompanhando a queda do preço das ações antes mesmo do pico do Bitcoin em outubro.
Na venda a descoberto, investidores tomam ações emprestadas para vendê-las, apostando recomprar mais barato no futuro. Caso a cotação suba, as perdas podem ser ilimitadas.
A Strategy funciona como um proxy alavancado de capital aberto para o Bitcoin: emite títulos, converte os recursos em BTC e, assim, amplia ganhos em ciclos de alta – e perdas em movimentos de baixa.
Imagem: cointelegraph.com
Atualmente, a companhia detém 717.722 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 46,68 bilhões. Na segunda-feira, anunciou a compra adicional de 592 BTC por US$ 39,8 milhões, a um preço médio de aproximadamente US$ 76.020 por moeda. Com o Bitcoin negociado perto de US$ 66.000, a empresa soma cerca de US$ 7 bilhões em perdas não realizadas.
Na semana passada, o fundador Michael Saylor declarou que pretende transformar cerca de US$ 6 bilhões em dívida conversível em ações, trocando obrigações de pagamento por novos papéis da companhia. A medida reduziria a alavancagem, mas pode diluir acionistas atuais.
Segundo a empresa, mesmo em um cenário extremo, seu caixa em Bitcoin seria suficiente para cobrir passivos: o BTC precisaria cair para perto de US$ 8.000 – recuo estimado em 88% – para que o valor dos ativos igualasse o da dívida.