São Paulo – Com duas décadas dedicadas ao mercado financeiro, o trader André Moraes reforça que a disciplina na gestão de risco é condição indispensável para quem opera na Bolsa. “Sem gerenciamento de risco, uma hora a conta chega”, diz o profissional, que ocupa a segunda posição no ranking Top Traders e é reconhecido por sua atuação na educação de investidores.
Antes de migrar para o mercado, Moraes construiu carreira na engenharia civil. Ele afirma que a formação acadêmica o ajudou a desenvolver processos estruturados para o trading: “A engenharia ensina eficiência e repetição; no mercado, a lógica é ter uma estratégia que perca pouco quando erra e ganhe mais quando acerta”.
O principal aprendizado da trajetória veio em 2007, quando um episódio de falta de liquidez expôs falhas em sua gestão de posições e resultou em perdas relevantes. “Foi um momento difícil, mas me ensinou mais do que qualquer acerto”, recorda.
Conhecido pela “Call da Década”, Moraes mantém visão favorável para o longo prazo. Ele acredita que, na ausência de choques extremos no cenário global, o Ibovespa pode ultrapassar os 200 mil pontos. Para o trader, a direção dos mercados é ditada majoritariamente por fatores internacionais, enquanto questões domésticas influenciam apenas a intensidade dos movimentos. “Os países emergentes tendem a andar juntos; o Brasil pode subir mais ou menos que a média, mas o rumo vem de fora”, afirma.
A decisão de deixar a engenharia ocorreu quando os ganhos nas operações superaram a renda do emprego formal. O apoio familiar e uma reserva financeira foram determinantes para enfrentar a mudança. “Se não desse certo, eu voltaria”, conta.
Em busca de reduzir o isolamento típico da profissão, Moraes criou uma das primeiras salas de trade ao vivo no país. O projeto começou de forma independente e, posteriormente, foi incorporado por uma corretora.
Imagem: infomoney.com.br
O veterano defende que novos investidores priorizem estudo e treinamento antes de colocar dinheiro em risco. “Quando você começa errado, precisa recuperar perdas desnecessárias”, alerta.
Para Moraes, o trading ainda está em fase de desenvolvimento no Brasil, mas o ambiente atual é mais favorável do que no passado devido ao avanço tecnológico, à oferta de informações gratuitas e à diversidade de produtos. Contudo, ele lembra que a facilidade de acesso também aumenta o risco para os menos preparados: “No trade, o investidor simplesmente aperta um botão”.
Mesmo diante dos desafios, o trader vê benefícios maiores que os riscos e aposta na consolidação da profissão nos próximos anos.