Rio de Janeiro – A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) interrompeu por completo, nesta quinta-feira (29), as atividades da refinaria da Refit, localizada na capital fluminense, citando problemas de segurança operacional.
O complexo industrial já estava parcialmente interditado desde 25 de outubro do ano passado, quando a agência iniciou investigações sobre possível participação da empresa em fraudes tributárias.
Segundo dados do setor, a Refit respondia por cerca de 10% da oferta de combustíveis em São Paulo e por 20% da demanda no Rio de Janeiro.
Em novembro, o Grupo Fit, controlador da refinaria, foi alvo de operação por sonegação fiscal. A apuração aponta que a companhia acumula débitos de R$ 26 bilhões, sendo R$ 9,6 bilhões apenas com o Tesouro de São Paulo.
De acordo com a ANP, a decisão de ampliar a interdição baseou-se na análise de informações coletadas in loco em 14 de janeiro de 2026 e em documentos entregues posteriormente pela empresa.
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O advogado da refinaria, Fernando Hargreaves, classificou a medida como “ilegal”, argumentando inexistência de risco de incêndio ou de dano ambiental. Ele afirmou que a companhia sofre “perseguição” por motivos concorrenciais e informou que recorrerá à Justiça. Hargreaves acrescentou que ANP e Fazenda Nacional teriam recusado vistorias independentes indicadas judicialmente.
A Refit declara que contesta os débitos tributários na esfera judicial, procedimento que, segundo a empresa, também é adotado por outras corporações brasileiras.