Um estudo da gestora Sharp Capital revela que somente 15% das ações que compunham a Bolsa brasileira em 2010 entregaram, nos 15 anos seguintes, retorno real superior ao oferecido pelos títulos do Tesouro atrelados à inflação (NTN-B) acrescidos de 3% ao ano. A gestora define esse patamar como o mínimo necessário para caracterizar geração de valor ao acionista no mercado doméstico.
O levantamento ajuda a explicar a frustração recorrente de investidores com o mercado acionário local. De acordo com a Sharp, o alto custo de capital no País fez com que superar alternativas consideradas de baixo risco fosse exceção, não regra. Na prática, a maior parte das empresas não compensou o acionista pelo risco assumido entre 2010 e 2025.
A distribuição de resultados mostrou-se altamente concentrada. Um grupo restrito de companhias respondeu por parcela desproporcional da riqueza criada no período. Entre as empresas não estatais já listadas em 2010, destacam-se Mercado Livre, Equatorial e WEG, que combinaram retornos elevados com significativa expansão de valor de mercado.
No extremo oposto, quase 20% das ações em circulação em 2010 perderam mais de 90% do valor real nos 15 anos seguintes, incluindo nomes conhecidos dos investidores locais. Para a Sharp, colapsos dessa magnitude não são eventos raros, e identificá-los é tão importante quanto capturar as poucas grandes vencedoras.
O exercício não abrange empresas que criaram valor fora da janela analisada nem companhias que abriram capital depois de 2010. Segundo a gestora, o custo de ficar de fora das poucas histórias bem-sucedidas teria sido elevado, assim como o de permanecer por tempo prolongado em negócios incapazes de gerar retorno acima do capital investido.
Imagem: infomoney.com.br
No balanço de 2025, a Sharp relatou normalização após o estresse observado em 2024. O fundo Sharp Equity Value avançou 46% no ano, superando o Ibovespa (+34%) e o IVBX2 (+38%), com contribuições positivas, principalmente, dos setores bancário e elétrico.
Já o Sharp Ibovespa Ativo entregou retorno 4,8 pontos percentuais acima do Ibovespa, impulsionado por alocação acima do índice no segmento elétrico e exposição reduzida ao setor de bens de capital, desempenho parcialmente compensado por resultados inferiores no setor de saneamento.