A fintech ARQ Finance, anteriormente conhecida como DolarApp, passou a oferecer no Brasil uma conta global voltada a empresas. O novo serviço B2B foi anunciado após a companhia captar US$ 70 milhões (cerca de R$ 361 milhões) junto a investidores como Sequoia Capital, Founders Fund e Kaszek.
Fundada por três ex-funcionários do Revolut — Álvaro Correa (COO), Zach Garman (CPO) e Fernando Terrés (CEO) —, a ARQ soma hoje 2 milhões de usuários e movimenta US$ 10 bilhões em transações anualizadas, nas versões digitais de dólar e euro.
Na área de varejo, a empresa disputa espaço com concorrentes como Wise, Nomad e C6, oferecendo cartões internacionais e investimentos em moeda estrangeira. No segmento corporativo, o objetivo é atrair contratantes de alta renda que realizam operações no exterior.
Segundo Leonardo Bernini, diretor-geral da ARQ no Brasil, o lançamento da conta PJ não estava nos planos imediatos, mas a forte demanda de clientes pessoa física levou a fintech a acelerar o projeto. “Percebemos que muitas empresas se internacionalizaram depois da Covid”, afirma.
A plataforma permite pagamentos internacionais em lote, controle de usuários com diferentes níveis de permissão e centralização de despesas globais, reunindo gastos com fornecedores, serviços e custos operacionais.
Bernini reconhece que o mercado corporativo é mais competitivo e exigente do que o de varejo, em especial no Brasil, onde a fintech espera enfrentar concorrência maior do que em países como Argentina, México e Colômbia. A estratégia, diz ele, é apostar na eficiência operacional e manter taxas em linha com as praticadas pelo mercado.
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Um dos obstáculos apontados pelo executivo é o elevado índice de inadimplência entre empresas brasileiras. Dados da Serasa Experian indicam que, ao fim de 2025, 8,9 milhões de companhias acumulavam dívidas que totalizam R$ 213 bilhões.
A ARQ mantém, por enquanto, oferta restrita de crédito. O cartão foi liberado apenas para os melhores clientes pessoa física, mas a fintech vê espaço para expandir esse portfólio no futuro. “Muitos players ampliam a oferta de cartões e consignados; não podemos deixar de observar essa oportunidade”, diz Bernini.
A escolha por começar com o público premium, avalia o diretor, exige conversões de câmbio competitivas e alto nível de confiabilidade. “São clientes que fazem muitas contas e perdem a confiança rapidamente se algo falhar”, conclui.