Brasília – A aquisição do banco Voiter pelo ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, incluiu a assunção de um passivo de aproximadamente R$ 6 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), levando o Banco Central a proibir a emissão de novos títulos pela instituição.
Lima comprou o Voiter em 2025, rebautizando-o como Banco Pleno. O acordo transferiu para o patrimônio pessoal do executivo – estimado em R$ 1 bilhão – não apenas os CDBs pendentes, mas também uma dívida com o ex-controlador do Voiter, a família Resende Barbosa.
O BC aprovou a operação em julho de 2025, enquanto ainda analisava a venda do Master ao BRB (Banco de Brasília). Ao dar o aval, a autarquia determinou que o Pleno interrompesse a emissão de novos CDBs para limitar a exposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e exigiu aportes de capital do novo controlador.
A restrição imposta ao Pleno reduziu o potencial impacto da quebra do Banco Master sobre o FGC, que precisará desembolsar R$ 40,6 bilhões para cobrir CDBs emitidos pelo Master.
No documento apresentado ao BC, o Banco Pleno descreveu estratégia centrada em crédito consignado – via a carteira Credicesta, principal produto do Master – e operações de atacado. O plano tem validade de cinco anos e obriga Lima a cumprir metas de capitalização, incluindo dois aportes de R$ 80 milhões, já realizados segundo a instituição.
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Lima deixou o Master no fim de abril de 2024, vendendo sua participação a Daniel Vorcaro. Em novembro de 2025, foi preso na Operação Compliance Zero da Polícia Federal, sendo liberado posteriormente. Um mês depois, o BC afastou Lima e uma diretora da gestão do Pleno.
Quando autorizou a compra do Voiter, o BC avaliava denúncias de fraude em carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master ao BRB. A análise baseou-se na Resolução 4.970/2021 do Conselho Monetário Nacional, que exige comprovação de capacidade técnica, reputação ilibada e origem lícita dos recursos.
Em nota, o Banco Pleno afirmou cumprir todas as exigências regulatórias, reduzir gradualmente a exposição ao FGC e manter Augusto Lima afastado desde 18 de novembro de 2025. A defesa de Lima ressaltou que as operações investigadas ocorreram após sua saída do Master, negando relação com sua gestão.