Brasília / São Paulo — O Banco Central decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, antiga marca Voiter, instituição que integrou o conglomerado Master até julho de 2025.
A decisão atinge uma instituição que já vinha enfrentando severos problemas de liquidez. Desde 2025, o Pleno estava proibido pelo BC de emitir novos CDBs para captar recursos, o que agravou a situação de caixa. No mercado secundário, esses títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI no fim de 2025.
Dados de junho de 2025 mostram patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro líquido de R$ 169,3 milhões, contrastando com um passivo total de R$ 6,68 bilhões. Desse montante, R$ 5,4 bilhões correspondiam a CDBs.
Em nota, o BC informou que o conglomerado Pleno representa 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, proporção considerada pouco relevante para a estabilidade do setor.
O banco pertencia ao grupo Master até julho de 2025, quando o regulador aprovou sua transferência para o empresário Augusto Lima. Ele havia deixado a sociedade com Daniel Vorcaro no fim de abril de 2024. Ambos foram presos em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, que apura suspeita de fraudes em créditos vendidos pelo Master ao BRB. Hoje respondem em liberdade, monitorados por tornozeleira eletrônica.
Os problemas acompanham o banco há anos, desde o período em que se chamava Indusval. Voltado a financiamentos empresariais e do agronegócio, passou por repetidas reestruturações. Em 2019, adotou o nome Voiter numa tentativa de digitalização. Sem sucesso, recebeu proposta de compra da Capital Consig em 2023, frustrada meses depois. Em fevereiro de 2024, o Master assumiu a instituição, vendida a Lima no ano seguinte e rebatizada como Pleno.
Imagem: redir.folha.com.br
A liquidação do Pleno soma-se a uma série de intervenções do BC: em 18 de novembro foram liquidados o Banco Master, o Master de Investimento, a Master Corretora e o Letsbank; em 15 e 21 de janeiro, foi a vez da gestora Reag e do Will Bank, respectivamente.
Nascido em Salvador, Lima fundou o Credcesta em 2018 e, em menos de uma década, expandiu negócios de crédito consignado por 24 estados e 176 municípios. Documentos e relatos de pessoas próximas apontam o uso de estruturas societárias complexas e vínculos com fundos administrados pela Reag, instituição liquidada em agosto de 2025 durante a Operação Carbono Oculto, que investigou supostas ligações com o PCC.
Lima também declarou ganhos significativos em operações com ações da Akaa Empreendimentos e cotas do fundo Murrien 41, abastecido pelo Hans 95, outro alvo da Carbono Oculto.
Com a liquidação do Pleno, o BC designará um liquidante para administrar ativos e passivos, priorizando o pagamento aos credores conforme a legislação vigente.