O Banco do Brasil (BBAS3) afastou a percepção de que o agronegócio brasileiro esteja em crise generalizada. Em painel sobre grãos e infraestrutura realizado em 28 de janeiro de 2026, no Latin America Investment Conference, organizado pelo UBS em São Paulo, o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar da instituição, Gilson Alceu Bittencourt, afirmou que o setor enfrenta “desafios pontuais”, sobretudo entre grandes produtores.
Bittencourt explicou que parte dos agricultores passou por problemas de fluxo de caixa devido à combinação de Selic mais elevada, prorrogações de custeio, condições climáticas adversas, oscilações de preços e falhas de gestão. “Quando se olha o agro como um todo, não há crise; as dificuldades concentram-se nos grandes produtores”, declarou.
Para aliviar a pressão de liquidez, o banco tem recorrido à Medida Provisória 1.304, que permite renegociar dívidas de produtores afetados. De acordo com o executivo, a maioria dos clientes não precisou aderir ao mecanismo, mesmo com a taxa básica de juros em patamar elevado.
O dirigente manteve visão otimista para o médio e longo prazos, sustentada por três fatores: crescimento estrutural da demanda global por alimentos, proteínas e energia; exigências crescentes de sustentabilidade; e posição competitiva do Brasil na produção sustentável.
Imagem: Pasquale Augusto via moneytimes.com.br
Segundo Bittencourt, o desafio é superar as dificuldades identificadas sem classificar todo o setor como crítico. “A crise não está nos pequenos e médios produtores”, concluiu.