Banco Genial deixa gestão de fundo alvo da Operação Carbono Oculto

Mercado Financeiro10 horas atrás7 pontos de vista

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O Banco Genial anunciou na noite desta quinta-feira (28) que renunciou à administração e a todos os demais serviços prestados ao Radford Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito Privado. O fundo é citado pelas investigações da Operação Carbono Oculto como possível destino de recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo, o Radford aparece em um pedido de indisponibilidade de bens por supostamente ter recebido valores retirados da Usina Itajobi, controlada pelo Grupo Mourad. As autoridades estimam que R$ 100 milhões tenham sido transferidos para o fundo por meio da fintech BK Instituição de Pagamento (BK Bank), apontada como “banco paralelo” da facção criminosa.

Em nota, o Genial afirmou ter tomado conhecimento da operação somente pela imprensa e declarou que ainda não recebeu qualquer notificação oficial sobre investigações que envolvam o banco direta ou indiretamente. A instituição informou que o fundo Radford foi estruturado por outros prestadores de serviço e lhe foi transferido em agosto de 2024.

“Na ocasião, foram realizadas todas as diligências necessárias junto ao investidor exclusivo e aos ativos da carteira. Desde então, o fundo opera conforme seu regulamento”, diz o comunicado. O banco acrescentou que, “diante das menções negativas e até que os fatos sejam esclarecidos”, decidiu se afastar da administração do produto.

O Genial ressaltou ainda que segue “os mais elevados padrões de governança, ética e compliance” e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, repudiando qualquer insinuação de envolvimento com atividades ilícitas.

Fintech sob suspeita

Principal alvo da Operação Carbono Oculto, a BK Instituição de Pagamento S.A. é acusada pela Receita Federal de movimentar R$ 46 bilhões não rastreáveis entre 2020 e 2024. A Polícia Federal, em apuração paralela, identificou R$ 68,9 milhões passando por contas na fintech de janeiro de 2020 a agosto de 2025.

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Imagem: redir.folha.com.br

Investigadores afirmam que parte dessas transações está ligada à venda clandestina de metanol desviado e à adulteração de combustíveis. Os valores seriam misturados em “contas-bolsão”, recurso que concentra depósitos de diferentes clientes e dificulta o rastreamento da origem do dinheiro.

Maior ação contra o crime organizado

Deflagrada nesta quinta-feira (28), a Operação Carbono Oculto mobilizou 1.400 agentes em oito estados e tem 350 alvos, constituindo-se na maior ofensiva conjunta da Receita Federal e do Ministério Público paulista contra a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

O Grupo Mourad, que atua em diversas etapas da cadeia de combustíveis, também é investigado por suspeita de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Pessoas ligadas à holding, presidida por Mohamad Hussein Mourad, mantinham investimentos em fundos geridos por sete diferentes gestoras.

Até a conclusão desta reportagem, responsáveis pela BK Bank não haviam sido localizados.

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