Brasília – O Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões a uma empresa de capital social de apenas R$ 2,2 milhões e, segundo investigação do Banco Central encaminhada ao Ministério Público Federal, o recurso foi desviado por meio de uma ciranda financeira envolvendo fundos da gestora Reag.
A beneficiária do crédito é a Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias S.A., presidida por Marisa Nassar, ex-funcionária da própria Reag. Em 26 de dezembro de 2023, o capital social da companhia saltou de R$ 100 para R$ 2,2 milhões, em assembleia presidida por João Carlos Mansur, fundador da Reag.
Quatro meses depois, em 22 de abril de 2024, a Brain Realty obteve o empréstimo do Master. Horas após a liberação, o montante foi aplicado integralmente no Brain Cash Fundo de Investimento Multimercado, cujo único cotista é a própria Brain Realty e cuja administração também está a cargo da Reag.
No mesmo dia, os recursos migraram do Brain Cash para outro veículo gerido pela Reag, o fundo D Mais. Este mantinha como principal ativo certificados físicos de ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Segundo os investigadores, tais papéis, de baixa liquidez e valor reduzido, eram registrados nos fundos por valores muito superiores, inflando artificialmente o patrimônio e justificando novas transferências.
1. O Master emprestava valores a empresas formalmente desvinculadas do banco, mas integradas ao esquema.
2. As empresas aplicavam o dinheiro em fundos da Reag.
3. Nos registros do BC, os empréstimos apareciam dentro dos limites regulatórios de Basileia.
4. Os gestores dos fundos compravam ativos de baixo valor por preços inflados, elevando artificialmente o patrimônio.
5. Os vendedores desses ativos reaplicavam o dinheiro em outros fundos, até que os recursos chegassem a carteiras em nome de laranjas ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master.
As apurações apontam que ao menos R$ 11,5 bilhões teriam sido lavados nesse modelo. Em outra frente, o Master é investigado pela revenda ao Banco de Brasília (BRB) de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes.
Imagem: redir.folha.com.br
• Marisa Nassar (presidente da Brain Realty) – informou que não comentaria.
• Leonardo Donato (ex-executivo da Reag e administrador da Blum Capital Partners, acionista da Reag) – não se manifestou.
• Banco Master – procurado, não respondeu.
O fundador da Reag, João Carlos Mansur, deixou a gestora após a operação Carbono Oculto, da Receita Federal, que investiga o uso de fundos pela facção PCC. Seis fundos associados ao grupo criminoso também figuram entre aqueles analisados no caso Master.
O processo segue em análise pelo Ministério Público Federal.