Bancos projetam queda da inadimplência com Selic menor e desemprego baixo

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São Paulo – Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco apontam que a inadimplência tende a recuar ao longo de 2026, caso o ambiente econômico continue favorável, com taxa Selic em trajetória de baixa e mercado de trabalho aquecido.

Instituições apontam melhora nas carteiras

Durante a divulgação dos resultados de 2025, os três maiores bancos privados do país indicaram que a redução dos juros, combinada ao desemprego próximo das mínimas históricas, deve estabilizar as contas em atraso.

Santander Brasil registrou aumento nas operações vencidas há mais de 90 dias, de 3,4% em setembro para 3,7% em dezembro. Um ano antes, o indicador era de 3,2%. Segundo o CEO Mario Leão, a alta foi puxada pela clientela de menor renda. O banco pretende ampliar a participação do segmento de alta renda para reduzir risco e elevar margens.

Nos empréstimos a pessoas físicas, o atraso acima de 90 dias subiu de 4,3% em dezembro de 2024 para 4,6% no fim de 2025. Entre pequenas e médias empresas (PMEs), o índice saltou de 4,5% para 5,9%. Leão citou pressão em alguns subsegmentos, sobretudo no agronegócio, marcada por uma onda de recuperações judiciais após a quebra da safra de soja.

FGI deve aliviar carteiras de PMEs

Os bancos aguardam repasses do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), utilizado como garantia em operações com PMEs. A expectativa é de que o instrumento reduza o percentual de inadimplência, barateie o crédito e abra espaço para novos financiamentos a juros menores.

Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco, classificou os retornos do FGI como “impressionantes” e afirmou que o descasamento entre atrasos e pagamento das garantias pressiona os índices no curto prazo, mas não eleva o custo do crédito.

Itaú mantém índice abaixo do mercado

Ao concentrar a carteira em clientes de maior renda, o Itaú sustenta inadimplência inferior à média do setor. Para pessoas físicas no Brasil, o atraso acima de 90 dias permaneceu em 3,6% desde março, o melhor nível da série histórica do banco. Considerando todas as linhas, o índice recuou 0,1 ponto percentual em 2025, para 1,9%, enquanto a média nacional estava em 4,1% em dezembro, segundo o Banco Central.

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Imagem: redir.folha.com.br

Maluhy prevê estabilidade nos indicadores neste ano, apoiado na geração de empregos formais, isenção de Imposto de Renda sobre rendimentos de até R$ 2.640 e consumo ainda robusto. O executivo, porém, alertou para o elevado comprometimento de renda das famílias, mesmo diante do avanço da massa salarial.

Bradesco vê 2026 com otimismo moderado

O Bradesco, que possui carteira mais exposta à baixa renda, encerrou 2025 com inadimplência de pessoas físicas em 5,4%, ante 5,1% no ano anterior. No consolidado, o índice subiu 0,1 ponto, para 4,1%.

O presidente Marcelo Noronha afirmou que o banco iniciou 2026 em ritmo mais forte do que no ano passado. Segundo ele, a instituição mantém apetite ao risco moderado diante de incertezas macroeconômicas, mas identifica “boas oportunidades” no crédito.

Com a combinação de juros menores, desemprego reduzido e reforço das garantias públicas, as três instituições esperam que a trajetória de inadimplência se torne mais favorável ao longo do ano.

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