A taxa básica de juros deve permanecer em 15% ao ano na primeira reunião do Comitê de Política Monetária de 2026 e começar a cair somente em março, de acordo com a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nesta quinta-feira (1º).
O levantamento, que ouviu 20 instituições financeiras entre 17 e 19 de dezembro, mostra que 70% dos entrevistados apostam na manutenção da Selic em janeiro, seguida de reduções de 0,50 ponto percentual a cada encontro subsequente. Para o diretor de economia, regulação prudencial e riscos da Febraban, Rubens Sardenberg, o mercado observa agora a velocidade desse afrouxamento monetário, ainda considerada moderada.
Nos Estados Unidos, 60% dos bancos consultados preveem dois cortes de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve ao longo de 2026. A expectativa de alívio nos juros norte-americanos é associada ao desempenho da economia e do mercado de trabalho, mas a inflação acima da meta é vista como fator limitante para um ciclo mais intenso.
Quanto ao Produto Interno Bruto, 55% dos participantes projetam expansão de 1,8% em 2026, ante 36,4% na pesquisa anterior. A inflação, contudo, permanece no radar: metade dos bancos acredita que o índice ficará acima da meta em razão de estímulos fiscais e de crédito, enquanto 35% esperam números inferiores ao consenso, indicando continuidade da tendência de queda nas projeções.
Embora o mercado não preveja descumprimento da meta fiscal, 80% das instituições entendem que o governo precisará adotar medidas adicionais para alcançá-la. Para 45% dos entrevistados, o ajuste deve se concentrar no controle de despesas, por meio de bloqueios, contingenciamentos ou exclusão de gastos do novo arcabouço fiscal.
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O crédito bancário deve crescer 8,2% em 2026, desaceleração em relação aos 9,2% estimados para 2025. A Febraban avalia que a projeção segue alinhada ao ritmo atual do mercado, cujo saldo total ainda avança mesmo com a Selic elevada.
A inadimplência na carteira com recursos livres deve subir de 5,1% para 5,2% no próximo ano, segundo a pesquisa.