São Paulo – Documentos enviados pelo Banco Central (BC) ao Tribunal de Contas da União (TCU) em 18 de dezembro de 2025 apontam três razões principais para a liquidação extrajudicial do Banco Master: crise de liquidez profunda e crônica, descumprimento reiterado de normas prudenciais e a prática de ilícitos graves em operações de cessão de ativos.
Segundo o BC, a instituição não conseguiu manter os níveis de recolhimento compulsório nem gerenciar adequadamente os riscos de crédito e liquidez. A autoridade monetária também relatou “episódios reiterados” de recolhimento insuficiente dos depósitos compulsórios a partir de 2024.
O ministro do TCU Jonathan de Jesus solicitou esclarecimentos sobre a atuação do BC na intervenção. Até a semana passada, havia especulações de que o magistrado pretendia anular a medida ou reconhecer queixas do banco, o que poderia resultar em indenização. Após críticas públicas e a divulgação de novos indícios de irregularidades, a ofensiva perdeu força.
De acordo com as informações do BC, o colapso do Master teve início em 2024, quando a captação de recursos ficou aquém do previsto e o banco passou a ter dificuldade para renovar Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de alto rendimento. Os ativos – parte deles composta por precatórios e outros títulos de baixa liquidez – não geravam caixa suficiente e, em alguns casos, eram considerados fictícios.
Com mais recursos saindo do que entrando, a instituição suspendeu a concessão de crédito, reduziu a venda de carteiras e tentou negociar sua própria venda, sem sucesso. Em abril de 2025, o BC concluiu que as medidas adotadas não seriam capazes de reverter o cenário de falta de liquidez.
Entre maio e setembro de 2025, o banco captou R$ 90,2 milhões em operações garantidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e recebeu mais R$ 4,3 bilhões da mesma fonte. Mesmo assim, o déficit de compulsório cresceu: a diferença era de cerca de R$ 500 milhões em abril e chegou a R$ 2,5 bilhões em agosto.
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Nesse período, o controlador do Master, Daniel Vorcaro, vendeu participações e bens na tentativa de levantar recursos: a seguradora KOVR foi negociada por R$ 418 milhões, propriedades foram vendidas ao BTG por R$ 954 milhões e o fundo Itaminas foi alienado por R$ 401 milhões.
Quando o BC decretou a liquidação, o banco já não possuía carteira de crédito capaz de gerar receitas, tinha capital superestimado e mantinha ativos considerados sem valor ou de liquidez inexistente, concluiu a autarquia.
O processo de liquidação segue sob supervisão do Banco Central, enquanto o TCU analisa as informações prestadas.