Brasília – O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou em depoimento à Polícia Federal, no fim de dezembro de 2025, que o Banco Regional de Brasília (BRB) poderá ter de reservar quase R$ 5 bilhões para cobrir prejuízos decorrentes da compra de carteiras de crédito do Banco Master.
Segundo o executivo, já foram identificados R$ 2,6 bilhões em perdas, e o Banco Central determinou ao BRB a constituição dessa provisão. No entanto, ele declarou que o valor deve aumentar em razão da “baixa qualidade” dos ativos recebidos do Master. “Estamos ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões”, disse Aquino aos investigadores.
A Polícia Federal apura a negociação de R$ 12,2 bilhões em carteiras supostamente fraudadas vendidas pelo Banco Master ao BRB. Em 2025, a direção do banco brasiliense informou ter recuperado parte dos recursos — cerca de R$ 10 bilhões.
Apuração mostrou que os ativos dados pelo Master em substituição às carteiras incluem fundos lastreados em ações de empresa desvalorizada, carteiras inadimplentes e imóveis de baixa liquidez pertencentes à família do empresário Daniel Vorcaro.
O Banco Central continua avaliando a qualidade dos fundos e demais ativos, enquanto o BRB realiza verificação interna com apoio do escritório Machado Meyer e da consultoria Kroll. Em nota, o banco informou que qualquer estimativa de capital “considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação” e que já elabora um plano de capitalização a ser apresentado ao regulador ao término dos trabalhos.
Dependendo do valor final a provisionar, o Governo do Distrito Federal, controlador do BRB, poderá ser obrigado a aportar capital na instituição.
Investigações do Ministério Público Federal apontam que o Master adquiriu carteiras de crédito da consultoria Tirreno sem desembolsar recursos e, em seguida, repassou esses papéis ao BRB. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afastado após a revelação do caso, tem dito a interlocutores que todas as operações foram precificadas com deságio.
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No depoimento, Aquino relatou que o Banco Central identificou problemas nas carteiras ainda em março de 2025 e questionou o BRB. A partir daí, o banco passou a reportar a situação ao regulador e iniciou a substituição dos ativos.
Em 8 de julho de 2025, o BRB comunicou oficialmente ao BC que estava internalizando novos ativos — entre eles operações Credcesta, cartões benefício, CRI, cotas de FII, títulos no exterior e ações — em troca das carteiras consideradas inexistentes.
Aquino afirmou não ter sofrido pressão de autoridades sobre a liquidação do banco. O Banco Central vetou a compra do Master pelo BRB em setembro de 2025, e a liquidação da instituição foi decretada em 18 de novembro do mesmo ano.
O depoimento de Ailton de Aquino estava inicialmente previsto para ocorrer em acareação com Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, determinada pelo ministro do STF Dias Toffoli. Diante de manifestações contrárias, o magistrado desistiu do procedimento em relação ao servidor do BC.