São Paulo – O Banco Central (BC) já separou os recursos necessários para reembolsar cerca de 7 milhões de correntistas do Will Bank que mantinham valores em contas pré-pagas da instituição, liquidada neste ano. A informação foi dada nesta terça-feira (data do evento) pelo diretor de Normas do BC, Gilneo Astolfi Vivan, durante encontro da Associação Brasileira dos Bancos (ABBC).
Segundo o dirigente, o montante está depositado em conta específica do BC e será usado integralmente para indenizar os consumidores. “É o primeiro teste de grande porte envolvendo contas pré-pagas; o dinheiro já está reservado e todos serão ressarcidos”, afirmou.
Vivan destacou que o sistema financeiro brasileiro tem obtido êxito na proteção ao pequeno depositante. Ele lembrou que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobriu os clientes do Banco Master, mas reconheceu que o processo foi mais demorado do que o ideal. “Não conseguimos ser tão efetivos quanto gostaríamos; fica uma lição”, disse.
O diretor comparou a dimensão das últimas liquidações. O Master possuía quase 1 milhão de clientes, enquanto o Will Bank soma perto de 7 milhões. “Hoje vivemos outro patamar de inclusão digital e precisamos ajustar processos para essa realidade”, comentou.
Para 2026 e 2027, o BC pretende rever normas do FGC, definir critérios para distribuição de títulos e discutir maior transparência na remuneração de intermediários financeiros, além de adotar medidas de combate a fraudes. O objetivo é ter um cronograma organizado até meados de março do ano que vem, informou Vivan.
Outra frente de atuação da autarquia é um plano de garantia de liquidez a instituições de menor porte. A proposta amplia o leque de ativos que podem ser entregues ao BC em troca de linhas emergenciais, incluindo debêntures e Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), além dos títulos públicos. A implementação depende da criação de um sistema de depósito específico para as CCBs.
Imagem: montagem com fotos de divulgação via infomoney.com.br
Apesar das liquidações, Vivan afirmou que não houve impacto significativo na captação de bancos pequenos e médios, o que, segundo ele, demonstra que os problemas ficaram restritos às instituições afetadas.
Durante o evento, o diretor defendeu a modernização do marco regulatório, hoje estruturado por tipo de instituição. Para ele, a supervisão deveria focar atividades, não categorias de empresas, dada a evolução tecnológica do setor.
Vivan ressaltou ainda a importância da independência operacional e financeira dos órgãos de fiscalização. Ele observou que, desde 2005, o quadro de funcionários do BC encolheu 40%, enquanto o sistema financeiro cresceu 11 vezes, situação semelhante à vivida pela CVM, Susep e Previc.